Espécie invasora está chegando ao litoral brasileiro e ameaça nativas
Senta que lá vem história: uma ostra exótica vinda da Ásia, a Saccostrea cucullata, que o povo já apelidou de "ostra-tampinha", está de mudança para o litoral brasileiro. E não é visita de cortesia. Ela está invadindo o espaço das nossas nativas e ameaçando a biodiversidade dos manguezais. A gente vai te contar como isso começou e o que estão fazendo para conter a invasão.
A ostra-tampinha foi vista pela primeira vez em 2014, em Bertioga, litoral de São Paulo. Desde então, ela se espalhou rápido e já é encontrada do Rio de Janeiro até Santa Catarina. O problema? Ela ocupa o mesmo espaço e consome os mesmos recursos que a ostra nativa do nosso mangue, a Crassostrea brasiliana. Isso pode prejudicar a sobrevivência da espécie local.
Como a invasão começou?
Segundo a "Rede de Ação Local da Ostra Exótica Saccostrea cucullata", que reúne órgãos governamentais, instituições de pesquisa e comunidades tradicionais, a espécie é considerada invasora exatamente por competir com a nativa. O estudo mostra que, se nada for feito, a ostra-tampinha pode tomar conta dos manguezais.
O que estão fazendo para proteger as nativas?
Diante da situação, foi criado um protocolo de monitoramento para padronizar como cientistas e órgãos ambientais devem observar essas ostras. O objetivo é entender o tamanho da invasão e criar estratégias para proteger a biodiversidade dos manguezais.
Órgãos como o Ibama e o ICMBio, junto com a Unesp (Universidade Estadual Paulista) e comunidades locais, realizam buscas em manguezais, costões de pedra e até em locais onde se criam ostras para venda.
Como funciona o monitoramento?
Os pesquisadores vão a campo pelo menos duas vezes por ano: uma no verão, época de reprodução, e outra no inverno, época de crescimento. Nos locais, eles contam quantas ostras de cada tipo existem e medem o tamanho delas usando um aparelho chamado paquímetro. Também verificam o sal da água e tiram fotos para registrar tudo.
O que isso significa para a gente?
A ação tem como objetivo ajudar os gestores públicos a tomar decisões rápidas para controlar a espécie invasora. Assim, garantem que a ostra nativa e o sustento das comunidades que dependem dela sejam preservados. No fim, quem ganha é a biodiversidade dos nossos manguezais.
Perguntas Frequentes
A ostra-tampinha é perigosa para humanos?
Não há registros de risco direto à saúde humana. O perigo é para o ecossistema, já que ela compete com a espécie nativa.
Como posso ajudar no monitoramento?
Se você encontrar ostras diferentes em manguezais ou costões, pode avisar órgãos ambientais como o Ibama ou o ICMBio.
O que é o paquímetro usado pelos pesquisadores?
É um aparelho de medição de precisão, usado para medir o tamanho das ostras durante as expedições de campo.
A invasão já chegou a outros estados?
Sim, a ostra-tampinha já foi encontrada do Rio de Janeiro até Santa Catarina desde 2014.
Quem coordena o protocolo de monitoramento?
A "Rede de Ação Local da Ostra Exótica Saccostrea cucullata", que reúne Ibama, ICMBio, Unesp e comunidades tradicionais.