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Governo quer responsabilizar quem usa celulares roubados e ampliar bloqueio

ResumoO governo federal prepara medida para responsabilizar criminalmente compradores de celulares roubados e ampliar o bloqueio de aparelhos irregulares. A proposta visa coibir o mercado ilegal de dispositivos móveis, alterando regras de bloqueio por IMEI e prevendo punições penais para quem adquire celulares de origem ilícita.

O governo federal prepara medida que responsabiliza criminalmente quem compra celulares roubados, além de ampliar o bloqueio de aparelhos irregulares. Entenda como funciona a proposta e o que muda para o consumidor.

Babi Cordeiro
Governo quer responsabilizar quem usa celulares roubados e ampliar bloqueio

Governo quer responsabilizar quem usa celulares roubados e ampliar bloqueio — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Você já comprou um celular usado sem saber a procedência? O governo federal quer que isso mude. Uma proposta em análise prevê responsabilizar criminalmente quem compra celulares roubados, além de ampliar o bloqueio de aparelhos irregulares. A ideia é sufocar o mercado ilegal de smartphones, que movimenta milhões de unidades por ano no Brasil. Senta que lá vem história.

O governo federal estuda responsabilizar criminalmente, por receptação, quem compra celulares roubados. A medida prevê ainda o bloqueio ampliado de aparelhos irregulares via IMEI, coordenado pela Anatel, e a criação de um banco de dados nacional para rastrear celulares furtados ou roubados.

O que o governo quer mudar na lei

A proposta, ainda em fase de discussão interministerial, mira diretamente o comprador final de celulares roubados. Hoje, a receptação é crime previsto no artigo 180 do Código Penal, com pena de 1 a 4 anos de reclusão. Mas a aplicação prática é rara para quem compra um aparelho sem nota fiscal em feiras ou grupos de WhatsApp.

O governo quer endurecer a fiscalização e a punição. A ideia é que, ao comprar um celular com IMEI bloqueado ou sem procedência clara, o consumidor possa ser enquadrado como receptador. A medida depende de aprovação do Congresso, mas já circula em minutas de projetos de lei.

Bloqueio ampliado: como vai funcionar

A Anatel, agência reguladora do setor, já coordena o bloqueio de celulares roubados via IMEI. Segundo a Anatel, em 2024 foram bloqueados mais de 1,5 milhão de aparelhos por furto ou roubo. O novo plano prevê ampliar esse bloqueio para aparelhos com IMEI clonado ou adulterado, prática comum no mercado ilegal.

O bloqueio funciona assim: quando um celular é roubado, a vítima registra boletim de ocorrência e solicita o bloqueio à operadora. A Anatel então insere o IMEI em uma lista negra nacional. Com a ampliação, aparelhos com IMEI duplicado ou inválido também serão bloqueados automaticamente.

Banco de dados nacional de celulares

A proposta inclui a criação de um banco de dados unificado com informações de IMEI, CPF do proprietário e status do aparelho (ativo, bloqueado, roubado). A base seria alimentada por operadoras, Anatel e secretarias de segurança pública.

Hoje, cada estado tem seu próprio sistema, o que dificulta o rastreamento de celulares roubados em outras regiões. O banco nacional permitiria que um aparelho roubado em São Paulo fosse identificado e bloqueado em qualquer lugar do país.

Impacto para o consumidor: o que muda

Para quem compra celular novo em loja autorizada, nada muda. O problema é para quem busca um usado barato em marketplaces ou feiras. A recomendação é clara: antes de comprar, verifique o IMEI no site da Anatel ou da operadora. Se o aparelho estiver bloqueado, a compra pode configurar receptação.

A responsabilização do comprador final é o ponto mais polêmico. Especialistas em direito penal apontam que provar o dolo (intenção de comprar produto roubado) é difícil. Mas o governo quer inverter a lógica: quem compra sem nota fiscal ou com preço muito abaixo do mercado assume o risco.

Como verificar se um celular é roubado

Você pode consultar o IMEI do aparelho discando *#06# no próprio telefone. Depois, acesse o site da Anatel ou da sua operadora e veja se o IMEI consta como bloqueado. Se sim, não compre. Simples assim.

Além disso, a Anatel disponibiliza um aplicativo chamado Celular Seguro, que permite bloquear o aparelho em minutos após o roubo. O app já registrou mais de 2 milhões de bloqueios desde o lançamento, segundo a agência.

O que dizem as operadoras

As operadoras de telefonia móvel, como Vivo, Claro, TIM e Oi, apoiam a ampliação do bloqueio. Elas já bloqueiam IMEIs de aparelhos roubados quando solicitado pelo cliente. Com o banco de dados nacional, o processo ficaria mais rápido e integrado.

Um ponto sensível é o bloqueio de aparelhos com IMEI clonado. Quando dois aparelhos compartilham o mesmo IMEI, um deles pode ser bloqueado por engano. A Anatel estuda criar um sistema de verificação dupla para evitar esse tipo de erro.

Perguntas Frequentes

Comprar celular roubado é crime?

Sim. A receptação de produto roubado é crime previsto no artigo 180 do Código Penal, com pena de 1 a 4 anos de reclusão. A proposta do governo quer tornar a punição mais efetiva para o comprador final.

Como saber se o IMEI de um celular está bloqueado?

Disque *#06# para obter o IMEI. Depois, consulte o site da Anatel ou da sua operadora. Se o IMEI estiver na lista de bloqueio, o aparelho foi roubado ou furtado.

O que muda com a nova proposta?

O governo quer responsabilizar criminalmente quem compra celulares roubados, ampliar o bloqueio de IMEIs clonados e criar um banco de dados nacional de aparelhos. Ainda depende de aprovação do Congresso.

O bloqueio de IMEI funciona em todo o Brasil?

Sim. O bloqueio via Anatel é nacional. Mas hoje o rastreamento entre estados é falho. O banco de dados nacional proposto deve resolver isso.

Posso desbloquear um celular com IMEI bloqueado?

Não legalmente. O desbloqueio só pode ser feito pela operadora ou Anatel, mediante comprovação de propriedade. Serviços de desbloqueio ilegal são crime.

Como consultar IMEI de celular Anatel bloqueia 1,5 milhão de celulares em 2024

Babi Cordeiro

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Babi Cordeiro cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.