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Meteorologistas dizem que não é possível associar ventanias ao El Niño: entenda

ResumoMeteorologistas do Inmet e Cemaden afirmam que as ventanias de até 105 km/h em Rio e São Paulo em 30 de outubro não podem ser associadas diretamente ao El Niño. O fenômeno foi causado por um ciclone extratropical e a formação de uma frente fria intensa, que gerou ventos fortes e tempestades localizadas.

Meteorologistas do Inmet e Cemaden afirmam que as ventanias que atingiram Rio e São Paulo nesta quarta (30) não podem ser associadas diretamente ao El Niño. Entenda o que causou os ventos de até 105 km/h.

Babi Cordeiro
Meteorologistas dizem que não é possível associar ventanias ao El Niño: entenda

Meteorologistas dizem que não é possível associar ventanias ao El Niño: entenda — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Meteorologistas dizem que não é possível associar ventanias ao El Niño: entenda o que causou os ventos de 105 km/h

Fortes ventos provocaram estragos e mortes nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo na tarde desta quarta-feira (30). Uma estação meteorológica da capital fluminense chegou a registrar ventos de 105 km/h. Mas, ao contrário do que muitos podem pensar, os meteorologistas dizem que não é possível associar ventanias ao El Niño de forma direta.

O que causou as ventanias no Rio e São Paulo?

Segundo Suellen Araujo, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o evento foi provocado pela formação de uma zona de baixa pressão atmosférica na região, associada ao deslocamento do ar nas camadas superiores da atmosfera, chamado de "escoamento". "A conjunção desses fatores auxiliou realmente na formação dessa instabilidade, que trouxe essas rajadas bem intensas. Inclusive, tivemos rajadas em torno de 100 km/h em ambos os estados", explicou a meteorologista.

O coordenador geral de Operações e Modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Seluchi, destaca que as rajadas de vento se formaram a partir de uma linha de estabilidade. "É uma linha de tempestades alinhadas, como o nome indica, uma ao lado da outra, que se formaram sobre uma frente fria que estava na Região Sul do Brasil. Essa linha de tempestades formou o que se chama uma frente de rajada, que foi a ventania que nós sentimos ontem à tarde", esclareceu.

Ele explica que a frente de rajada avança mais rápido que a linha de nuvens da tempestade e que a tempestade, em si, nem ocorreu. "Aqui onde nós estamos, no Vale do Paraíba [em São José dos Campos-SP], choveu mais no final da tarde e início da noite. Choveu um pouco, que foi o que restou daquela linha de tempestades que foi dissipando conforme elas foram avançando para o norte. Elas começaram lá no Paraná, Santa Catarina, mas, avançando para o norte, elas foram dissipando", disse Seluchi.

É possível associar as ventanias ao El Niño?

Tanto a meteorologista do Inmet quanto o coordenador do Cemaden avaliam que não é possível, ainda, associar o evento de quarta-feira ao El Niño, um fenômeno recorrente que consiste no aquecimento das águas do Oceano Pacífico, de tempos em tempos, e que provoca alterações no clima global.

Neste ano, espera-se um El Niño mais intenso. Segundo a Administração Atmosférica e Oceânica Nacional dos Estados Unidos (Noaa), há uma probabilidade grande de que nesta temporada o El Niño seja o mais forte dos últimos 76 anos.

"Teria que fazer uma avaliação um pouco mais minuciosa para poder verificar se [os ventos fortes de Rio e São Paulo] tem alguma coisa relacionada a esse fenômeno", afirma Suellen Araujo.

Segundo Seluchi, é difícil estabelecer uma relação direta dos ventos fortes com o El Niño. Ele esclarece, entretanto, que a linha de tempestades que provocou a ventania se formou a partir de uma frente estacionária que estava sobre o sul do Brasil. "A frequência com que essas frentes estacionárias estão atuando na Região Sul já tem a ver com o fenômeno do El Niño. As frentes estão se tornando estacionárias com mais frequência, está chovendo com mais frequência e mais volume na Região Sul. E a linha de instabilidade é um efeito secundário, digamos, da presença dessas frentes na região sul", disse.

Seluchi ressalta, no entanto, que a linha de instabilidade e as rajadas de vento são fenômenos que podem acontecer em qualquer época do ano. "Acontece também em anos que não são do El Niño. A relação [das rajadas de vento] com o El Niño é mais difícil de estabelecer. Eu acho [que tem], mas é difícil provar que essa uma relação indireta".

O que dizem outros especialistas?

O meteorologista Thiago Sousa, doutorando da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), entende que é preciso ter estudos mais profundos para encontrar uma possível vinculação entre a ventania e o El Niño. "Não tem como afirmar e nem contrariar essa correlação, que precisa ser estudada para depois, mais a frente, para se relacionar com o Super El Niño", disse.

Perguntas Frequentes

As ventanias no Rio e São Paulo foram causadas pelo El Niño?

Não, segundo meteorologistas do Inmet e Cemaden, não é possível associar as ventanias diretamente ao El Niño. Elas foram causadas por uma zona de baixa pressão e uma linha de instabilidade.

Qual foi a velocidade dos ventos registrados?

Uma estação meteorológica da capital fluminense registrou ventos de 105 km/h, com rajadas em torno de 100 km/h em ambos os estados.

O El Niño pode influenciar indiretamente esses fenômenos?

Sim, segundo Marcelo Seluchi, a frequência de frentes estacionárias na Região Sul tem relação com o El Niño, e a linha de instabilidade é um efeito secundário dessa presença. Mas a relação direta com as rajadas de vento é difícil de estabelecer.

Esses ventos fortes são comuns em anos sem El Niño?

Sim, segundo Seluchi, a linha de instabilidade e as rajadas de vento são fenômenos que podem acontecer em qualquer época do ano, inclusive em anos que não são do El Niño.

O que é necessário para vincular as ventanias ao El Niño?

Segundo os especialistas, seriam necessários estudos mais aprofundados para estabelecer uma correlação direta entre as ventanias e o El Niño.

Babi Cordeiro

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Babi Cordeiro cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.

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