Eu estava no ponto de ônibus, vendo aquele monstrengo a diesel passar soltando uma fumaça que parecia saída de filme de terror dos anos 80, quando me bateu uma dúvida: será que algum dia vou pegar um ônibus que não me deixe com gosto de escapamento na boca? A resposta, ao que tudo indica, está mais perto do que eu imaginava.
Ônibus elétricos crescem 92,5% no primeiro semestre de 2026, segundo dados da Anfavea, que registrou um salto de 1.200 para 2.310 unidades em circulação no Brasil. O número, embora ainda pequeno frente à frota total de 106 mil ônibus urbanos, mostra uma aceleração que, confesso, me pegou de surpresa.
Por que esse crescimento aconteceu?
A resposta curta: dinheiro público e pressão ambiental. A Política Nacional de Mobilidade Urbana, atualizada em 2025, estabeleceu metas de redução de emissões para frotas municipais, com incentivos fiscais para quem aderisse. Segundo o Ministério das Cidades, 45% dos novos ônibus adquiridos por prefeituras no primeiro semestre de 2026 foram elétricos.
O papel das cidades
São Paulo lidera, com 680 ônibus elétricos, seguida por Rio de Janeiro (420) e Belo Horizonte (310). Curitiba, que prometeu uma frota 100% elétrica até 2030, aparece com 180 unidades, ainda longe da meta, mas avançando.
Quanto custa um ônibus elétrico?
Se você, como eu, já sonhou em ter um, prepare o bolso. Cada unidade sai entre R$ 1,2 milhão e R$ 1,8 milhão, contra R$ 500 mil a R$ 700 mil de um diesel equivalente. O custo de operação, no entanto, é até 70% menor: o quilômetro rodado sai por R$ 0,85 no elétrico, contra R$ 2,10 no diesel.
A conta de energia
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) calcula que, para abastecer a frota atual de 2.310 ônibus, seriam necessários 120 MW de potência instalada em recarga, o equivalente a uma pequena usina hidrelétrica. As prefeituras estão correndo atrás de parcerias com distribuidoras, mas a infraestrutura ainda engatinha.
Desafios que ninguém conta
Eu, que já tive que esperar 40 minutos por um ônibus que nunca veio, imagino a frustração de ver o elétrico parado no meio da rua porque a bateria acabou. A autonomia média dos modelos vendidos no Brasil é de 250 km, suficiente para um dia de operação urbana, mas a falta de pontos de recarga rápida (apenas 80 estações em todo o país) preocupa.
Outro gargalo: a manutenção. Segundo a Anfavea, apenas 15% das oficinas de ônibus no Brasil estão habilitadas para veículos elétricos. Ou seja, se quebrar, pode virar peso de papel.
O que esperar para o segundo semestre?
A Anfavea projeta que a frota chegue a 3.500 unidades até dezembro de 2026, um crescimento de 192% sobre o ano anterior. O governo federal anunciou um financiamento de R$ 2 bilhões pelo BNDES para renovação de frotas municipais, com juros de 6% ao ano.
Se depender de mim, que já cansei de tossir no ponto, que venham mais desses silenciosos. Mas, por favor, que não acabem a bateria no meio do caminho.
Perguntas Frequentes
Quantos ônibus elétricos existem no Brasil em 2026?
Segundo a Anfavea, 2.310 unidades em circulação no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 92,5% sobre o mesmo período de 2025.
Qual cidade tem mais ônibus elétricos?
São Paulo lidera com 680 unidades, seguida por Rio de Janeiro (420) e Belo Horizonte (310).
Qual o custo de um ônibus elétrico?
Entre R$ 1,2 milhão e R$ 1,8 milhão por unidade, com custo operacional 70% menor que o diesel.
Quanto custa rodar um quilômetro com ônibus elétrico?
R$ 0,85, contra R$ 2,10 do diesel, segundo a EPE.
Qual a autonomia de um ônibus elétrico?
Média de 250 km por carga, suficiente para um dia de operação urbana.
Quantas estações de recarga rápida existem?
80 estações em todo o Brasil, número considerado insuficiente pela Anfavea.
Há financiamento para ônibus elétricos?
Sim, o BNDES oferece R$ 2 bilhões com juros de 6% ao ano para renovação de frotas municipais.
Como funciona a recarga de ônibus elétricos Comparativo de custos: ônibus elétrico vs diesel Política Nacional de Mobilidade Urbana explicada