O tráfico de pepinos-do-mar brasileiros foi identificado por DNA em um estudo inédito. Pesquisadores do ICMBio e universidades brasileiras usaram a técnica de código de barras genético (DNA barcoding) para rastrear espécies nativas em carregamentos ilegais. O método revelou rotas do contrabando e espécies ameaçadas que estavam sendo retiradas dos recifes brasileiros.
Resposta direta: Pesquisadores do ICMBio e universidades brasileiras usaram DNA ambiental para identificar pepinos-do-mar brasileiros em carregamentos ilegais. A técnica compara amostras de espécies nativas com material genético de produtos apreendidos. O estudo mapeou rotas do tráfico e detectou espécies ameaçadas sendo contrabandeadas para a Ásia.
Como o DNA identificou o tráfico
A técnica de DNA barcoding funciona como uma impressão digital genética. Cientistas coletam amostras de pepinos-do-mar em recifes brasileiros e sequenciam um gene específico. Quando a polícia apreende um carregamento, extraem o DNA das amostras e comparam com o banco de dados. Se o material genético coincide com uma espécie brasileira, a origem é confirmada.
Segundo o ICMBio, a técnica tem sido usada para identificar espécies ameaçadas em operações de fiscalização. O estudo analisou 47 amostras de pepinos-do-mar apreendidas em portos brasileiros entre 2023 e 2025.
Espécies ameaçadas detectadas
Das amostras analisadas, 12 pertenciam a espécies listadas como ameaçadas de extinção. O pepino-do-mar Isostichopus badionotus, uma das espécies mais visadas, foi identificado em 8 carregamentos. A espécie é alvo do tráfico por seu alto valor no mercado asiático, onde é usada na culinária e na medicina tradicional.
O ICMBio mantém uma lista oficial de espécies ameaçadas, atualizada periodicamente com base em estudos populacionais.
Rotas do contrabando
O DNA revelou as principais rotas do tráfico. Os pepinos-do-mar saem de portos no Pará e Maranhão, seguem para a Venezuela e Colômbia, e de lá são enviados para a Ásia. A técnica mostrou que 30% das amostras vieram de áreas de proteção ambiental, indicando que o tráfico opera dentro de unidades de conservação.
Impacto nos recifes brasileiros
A retirada de pepinos-do-mar afeta todo o ecossistema marinho. Esses animais são detritívoros: limpam o fundo do oceano, reciclam nutrientes e arejam o sedimento. Sem eles, os recifes perdem qualidade e a biodiversidade cai.
Fiscalização e novas tecnologias
O ICMBio tem usado o DNA barcoding em operações de fiscalização. A técnica permite identificar a espécie mesmo quando o animal está seco, salgado ou processado. Em 2025, a Polícia Federal apreendeu 2 toneladas de pepinos-do-mar no Aeroporto de Guarulhos. A análise de DNA confirmou que 80% eram de espécies brasileiras ameaçadas.
A Polícia Federal registrou 15 operações de combate ao tráfico de fauna marinha em 2025, resultando em 23 prisões.
Legislação e penalidades
O tráfico de pepinos-do-mar é crime ambiental no Brasil. A Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98) prevê multa de até R$ 50 milhões e reclusão de 1 a 4 anos para quem captura, transporta ou comercializa espécies ameaçadas sem autorização.
Perguntas Frequentes
Como o DNA identifica o tráfico de pepinos-do-mar?
O DNA barcoding compara o material genético de amostras apreendidas com um banco de dados de espécies brasileiras.
Quais espécies são mais traficadas?
O pepino-do-mar Isostichopus badionotus é a espécie mais visada, por seu alto valor no mercado asiático.
Para onde vai o pepino-do-mar brasileiro?
As rotas principais vão para a Ásia, via Venezuela e Colômbia, com destinos como China e Hong Kong.
O que acontece com quem trafica?
A pena pode chegar a 4 anos de reclusão, além de multas de até R$ 50 milhões.
Como o ICMBio fiscaliza?
O órgão usa DNA barcoding em operações, além de monitoramento por satélite e denúncias anônimas.