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Descoberta de sistema estelar incomum desafia cientistas e classificação astronômica

ResumoO sistema estelar descoberto a 71 anos-luz da Terra, composto por uma anã vermelha, uma anã marrom e um corpo gasoso gigante em órbita, desafia as classificações astronômicas tradicionais. O estudo publicado na Nature levanta debates sobre os limites entre estrelas, anãs marrons e planetas, devido à configuração hierárquica incomum.

Astrônomos anunciaram a descoberta de um sistema estelar a 71 anos-luz da Terra que desafia as classificações tradicionais. Uma anã vermelha é orbitada por uma anã marrom, que por sua vez tem um corpo gasoso gigante em sua órbita. O estudo, publicado na Nature, levanta debates so

Tomás Wenzel
Descoberta de sistema estelar incomum desafia cientistas e classificação astronômica

Descoberta de sistema estelar incomum desafia cientistas e classificação astronômica — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Veja o que se sabe sobre descoberta de sistema estelar incomum que desafia cientistas e conceitos da astronomia

Um sistema estelar a 71 anos-luz da Terra está virando de cabeça para baixo as classificações da astronomia. Astrônomos anunciaram a descoberta de uma configuração sem precedentes na Via Láctea: uma estrela anã vermelha é orbitada por uma anã marrom, que por sua vez possui um gigantesco corpo gasoso semelhante a Júpiter em sua órbita.

O sistema estelar incomum está localizado a 71 anos-luz da Terra, na Via Láctea. Ele é composto por uma estrela anã vermelha orbitada por uma anã marrom, que por sua vez abriga em sua órbita um corpo gasoso com pelo menos 90% da massa de Júpiter. A descoberta foi feita com o Very Large Telescope (VLT), do ESO, e publicada na revista Nature.

O que torna esse sistema tão diferente dos demais

Em sistemas convencionais, um corpo que orbita outro que, por sua vez, orbita uma estrela seria chamado de lua ou exolua. Mas o novo objeto é muito maior do que qualquer lua conhecida no Sistema Solar e orbita uma anã marrom, um corpo celeste que ocupa uma posição intermediária entre um planeta gigante e uma estrela.

"Isso certamente será motivo de debate. Em geral, a maioria dos astrônomos concorda com o termo exossatélite, pelo menos como um termo provisório até que adotemos formalmente definições para objetos como o que encontramos", explicou Kevin Hoy, doutorando em astrofísica da Universidade Diego Portales, no Chile, e autor principal do estudo.

O papel do Very Large Telescope na descoberta

A descoberta foi realizada com o auxílio do Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul (ESO), instalado no Chile. Os resultados foram publicados na revista científica Nature. Segundo os pesquisadores, o objeto recém-identificado possui pelo menos 90% da massa de Júpiter e completa uma volta ao redor da anã marrom a cada 170 dias.

Por que os cientistas evitam chamar o objeto de lua

A coautora da pesquisa, Alice Zurlo, afirmou que a descoberta representa um novo desafio para a comunidade científica. Segundo ela, o achado "abriu uma caixa de Pandora" ao revelar um tipo de objeto completamente diferente dos conhecidos até hoje.

"Optamos deliberadamente por não chamá-lo de lua. Esse objeto não se parece com nenhuma lua do nosso Sistema Solar e também não orbita um planeta, mas sim uma anã marrom", destacou.

Como esse exossatélite pode ter se formado

Os pesquisadores ainda investigam como esse exossatélite se formou. Entre as hipóteses consideradas estão a formação a partir de um disco de gás e poeira ao redor da anã marrom, de maneira semelhante à formação dos planetas em torno das estrelas, ou a possibilidade de que tenha sido capturado posteriormente pela força gravitacional desse objeto.

Entendendo a anã marrom do sistema

As anãs marrons são corpos celestes peculiares. Elas possuem massa superior à dos maiores planetas, mas insuficiente para iniciar o processo de fusão nuclear que caracteriza uma estrela. No sistema recém-descoberto, a anã marrom tem cerca de 33 vezes a massa de Júpiter, aproximadamente 50% mais tamanho e temperatura significativamente superior à do maior planeta do Sistema Solar.

O que essa descoberta muda na astronomia

Desde a descoberta dos primeiros exoplanetas, na década de 1990, mais de 6.300 planetas fora do Sistema Solar já foram catalogados. No entanto, a identificação de exoluas ou exossatélites continua sendo extremamente rara. Para os cientistas, esse novo sistema poderá ajudar a compreender melhor como diferentes tipos de corpos celestes se formam e evoluem, além de contribuir para a revisão das definições utilizadas atualmente pela astronomia para classificar objetos encontrados além do Sistema Solar.

Perguntas Frequentes

Onde está localizado o sistema estelar incomum?

O sistema está localizado a cerca de 71 anos-luz da Terra, na Via Láctea.

Quem liderou a descoberta do sistema?

O estudo foi liderado por Kevin Hoy, doutorando em astrofísica da Universidade Diego Portales, no Chile.

Qual a massa do objeto que orbita a anã marrom?

O objeto possui pelo menos 90% da massa de Júpiter.

Por que os cientistas não chamam o objeto de lua?

Porque ele é muito maior do que qualquer lua conhecida e orbita uma anã marrom, não um planeta.

Quantos exoplanetas já foram descobertos?

Mais de 6.300 planetas fora do Sistema Solar foram catalogados desde a década de 1990.

Onde os resultados foram publicados?

Os resultados foram publicados na revista científica Nature.

Tomás Wenzel

Editoria Novidades

Tomás Wenzel cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.