Estreito de Ormuz pode ter 'novo normal' de abertura e fechamento, diz professor
O professor Fernando Brancoli, de Relações Internacionais, afirmou que o Estreito de Ormuz pode entrar em um novo normal, com abertura e fechamento dependendo do mês e da entrada de atores como os Houthis. A declaração foi dada em entrevista ao Hora H desta terça-feira (21), analisando a escalada entre Estados Unidos e Irã.
O que é o novo normal para o Estreito de Ormuz?
Segundo Brancoli, relatórios da ONU e de empresas de seguros estavam baseados na premissa de que o conflito acabaria com um acordo. Pela primeira vez, analistas enxergam a situação de outra forma. "Relatórios e análises sofisticadas estão dizendo que talvez o novo normal seja o Estreito de Ormuz abrindo e fechando, dependendo do mês de que a gente está falando e da entrada de atores fora do contexto iraniano, como é o caso dos Houthis", afirmou.
Como a escalada entre EUA e Irã afeta a economia global?
O aumento dos custos logísticos, com elevação dos preços de seguro de navios e do petróleo, deve pressionar a inflação em diversos países, incluindo o Brasil. "Quando aumenta o preço do petróleo, a gente tem impacto na nossa inflação também. Quando a gente pensa em aumento do preço de fertilizantes, isso vai impactar o agro no contexto brasileiro", explicou Brancoli.
O impacto em Dubai e nos países do Golfo
Dubai, que se consolidou como um hub comercial e financeiro seguro, vem sofrendo com o fluxo de pessoas deixando a cidade diante dos ataques iranianos aos Emirados Árabes Unidos. "Todo mundo fazia conexão em Dubai para visitar Ásia ou África. E agora há uma reflexão sobre até que ponto Dubai pode ser um hub comercial ou de tráfego", disse Brancoli.
Acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita: o que muda?
Brancoli comentou sobre o acordo nuclear ventilado entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita. Inicialmente previa apenas transferência de tecnologia para enriquecimento de urânio para fins médicos, mas passou a contemplar possibilidades de enriquecimento em níveis maiores. Embora não se fale em desenvolvimento de armas nucleares, o especialista alertou que, com o acirramento do confronto com o Irã, imprensa e membros da realeza saudita passaram a defender que o país deveria buscar esse tipo de armamento. "Do ponto de vista prático, seria um desastre", avaliou.
O risco de reversão da desnuclearização global
Brancoli lembrou que desde o final da Guerra Fria havia um processo de desnuclearização global, mas que esse movimento vem sendo revertido nas últimas décadas. O próprio conflito entre Estados Unidos e Irã gira em torno da suspeita de que Teerã estaria tentando desenvolver um artefato nuclear.
Como a política interna dos EUA influencia o conflito?
O especialista destacou que Trump vem sofrendo derrotas no Congresso e nas pesquisas de opinião, em parte devido ao aumento dos preços nos Estados Unidos, com o diesel registrando alta superior a 20%. Diante da perspectiva de perder o controle do Congresso e do Senado nas eleições de meio de mandato, Trump teria passado a questionar sistematicamente a integridade do processo eleitoral americano. "Não à toa ele vem acusando sistematicamente o processo de eleição ao longo dessas últimas semanas, a ideia de que a eleição não seria limpa, já prevendo uma derrota dentro desse tipo de contexto", afirmou.
Perguntas Frequentes
O que é o Estreito de Ormuz?
É uma passagem marítima estratégica no Golfo Pérsico, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Quem é Fernando Brancoli?
É professor de Relações Internacionais, ouvido pelo Hora H para analisar o cenário geopolítico entre EUA e Irã.
Como o conflito no Oriente Médio afeta o Brasil?
O aumento do preço do petróleo e de fertilizantes impacta a inflação e o agronegócio brasileiro.
O que é o acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita?
É um acordo que inicialmente previa transferência de tecnologia para enriquecimento de urânio para fins médicos, mas agora contempla níveis maiores de enriquecimento.
Por que Trump questiona as eleições?
Segundo Brancoli, Trump prevê uma possível derrota nas eleições de meio de mandato e acusa o processo eleitoral de não ser limpo.
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