Senta que lá vem história: o Brasil resolveu não entrar na briga de olho por olho com os Estados Unidos, mas também não vai ficar parado. O vice-presidente Geraldo Alckmin foi a público nesta terça-feira (21) e mandou o recado: a Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso em 2025, não é uma retaliação ao tarifaço de 25% imposto por Donald Trump. É, segundo ele, um instrumento institucional para corrigir o que o governo brasileiro considera injusto.
O vice-presidente disse que a ideia não é guerra comercial. "Dizem que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso", afirmou Alckmin, ao lado do ministro Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
A sobretaxa de 25% atinge cerca de 18% das exportações brasileiras para os EUA, o equivalente a aproximadamente US$ 7,4 bilhões. Máquinas, equipamentos, autopeças, eletroeletrônicos, calçados e outros produtos industriais estão entre os mais expostos. O mercado americano absorve cerca de um quarto das vendas externas brasileiras de máquinas e equipamentos e é o principal destino do setor eletroeletrônico nacional.
O governo estruturou a reação em três eixos: apoio financeiro às empresas, abertura de novos mercados e diálogo com os setores produtivos. Uma das medidas em elaboração é a abertura de linhas de crédito pelo programa Brasil Soberano, voltadas a capital de giro e investimentos de empresas que comprovarem prejuízos com as tarifas.
Outra frente é a flexibilização temporária do regime de drawback, que suspende, reduz ou devolve tributos sobre insumos de produtos exportados. A ideia é dar mais prazo para empresas que não conseguem cumprir contratos nos EUA encontrarem outros compradores sem perder os benefícios.
Enquanto isso, a ApexBrasil prepara ações para colocar os produtos atingidos em outros mercados. Índia, México, Singapura, Japão e países do Sudeste Asiático são os destinos prioritários. O governo também quer acelerar acordos do Mercosul com a União Europeia, a EFTA e Singapura. Uma missão oficial à Índia está prevista para abrir oportunidades para fabricantes de máquinas e equipamentos.
O governo ainda aguarda para sexta-feira (24) uma possível nova sobretaxa de 12,5% dos EUA, relacionada a acusações de falhas no combate ao comércio de produtos com trabalho forçado. O Itamaraty contestou os argumentos americanos, classificando-os como incorretos e arbitrários. Se confirmada e aplicada cumulativamente, a tarifa total pode chegar a 37,5%.
A tarifa de 25% começou a valer nesta quarta-feira (22). Mercadorias em trânsito internacional têm isenção até 29 de julho. Até lá, o Ministério do Desenvolvimento pretende concluir reuniões com setores de plásticos, máquinas, veículos, autopeças, borracha e calçados para definir a versão final do pacote de socorro.
Perguntas Frequentes
O que é a Lei da Reciprocidade?
A Lei da Reciprocidade foi aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional em 2025. Ela permite ao Brasil adotar contramedidas diante de barreiras comerciais unilaterais, mas exige etapas como análises técnicas, consultas e audiências públicas antes de qualquer decisão.
Quais setores são mais afetados pelo tarifaço?
Máquinas, equipamentos, autopeças, eletroeletrônicos, calçados e outros produtos industriais estão entre os segmentos mais expostos à sobretaxa de 25%.
O que o governo está fazendo para ajudar as empresas?
O governo prepara linhas de crédito pelo programa Brasil Soberano, flexibilização do regime de drawback e ações da ApexBrasil para abrir novos mercados, como Índia, México e Singapura.
Quando a tarifa de 25% começou a valer?
A tarifa começou a valer em 22 de julho de 2026. Mercadorias em trânsito têm isenção até 29 de julho.
O que pode acontecer com a tarifa de 12,5%?
O governo aguarda uma decisão dos EUA para sexta-feira (24). Se confirmada e aplicada cumulativamente, alguns produtos podem enfrentar tarifa total de até 37,5%.