A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) lançará um plano de R$ 130 milhões para diversificar os mercados de destino das exportações brasileiras. A iniciativa, anunciada em maio de 2026, visa reduzir a dependência de parceiros tradicionais e abrir novas frentes comerciais, especialmente na Ásia, África e Oriente Médio.
O plano de R$ 130 milhões para diversificar mercados é a maior aposta da Apex em anos. Segundo a agência, o foco é ampliar a base de exportadores e reduzir riscos geopolíticos. A ideia não é substituir a China ou os EUA, mas criar alternativas reais para o exportador brasileiro.
Por que a Apex precisa diversificar mercados?
O Brasil sempre dependeu de poucos parceiros comerciais. Em 2025, a China respondeu por cerca de 30% das exportações brasileiras, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A União Europeia e os Estados Unidos completam o top 3. Essa concentração é um risco: qualquer crise bilateral ou sanitária pode derrubar a receita.
A Apex reconhece o problema. O plano de R$ 130 milhões para diversificar mercados mira justamente essa fragilidade. A agência quer levar empresas brasileiras para feiras na Indonésia, Arábia Saudita, Quênia e Vietnã, entre outros.
Como funciona o plano de R$ 130 milhões?
O plano está dividido em três eixos principais:
- Missões empresariais e rodadas de negócios: A Apex organizará viagens de delegações brasileiras para países-alvo. A estimativa é realizar 20 missões em 2026 e 2027.
- Estudos de mercado e inteligência comercial: A agência produzirá relatórios setoriais gratuitos para exportadores. Setores como agronegócio, máquinas, tecnologia da informação e saúde terão prioridade.
- Suporte para PMEs: Pequenas e médias empresas receberão consultoria personalizada para adequação de produtos, certificações e logística. A meta é atrair 500 novas empresas exportadoras.
Segundo a Apex, cada real investido no plano pode gerar até R$ 12 em exportações nos próximos três anos.
Setores beneficiados pelo plano
O plano de R$ 130 milhões para diversificar mercados não é genérico. A Apex selecionou setores com potencial comprovado:
- Agronegócio: carnes, soja, café e frutas. O Oriente Médio é o foco, com demanda crescente por alimentos halal.
- Máquinas e equipamentos: Brasil já exporta para a América Latina, mas quer avançar na África.
- Tecnologia da informação: startups brasileiras de fintech e agtech têm boa recepção no Sudeste Asiático.
- Saúde: equipamentos hospitalares e fármacos genéricos são prioridade na África Subsaariana.
O desafio da logística e da burocracia
Diversificar mercados não é só questão de vontade. O exportador brasileiro enfrenta gargalos reais. O custo logístico interno é alto: o frete rodoviário representa até 15% do valor do produto, segundo o Banco Central. Além disso, a burocracia alfandegária ainda é lenta em comparação com Chile e México.
A Apex prometeu integrar o plano com o programa Portal Único de Comércio Exterior, que reduz o tempo de liberação de cargas. A meta é cortar o prazo médio de 12 para 5 dias úteis.
Como o plano se compara a iniciativas anteriores?
A Apex já teve planos de diversificação antes, mas nenhum com esse orçamento. Em 2023, a agência investiu R$ 40 milhões no programa "Exporta Mais Brasil", que beneficiou 200 empresas. O novo plano é 3,25 vezes maior.
O governo federal também lançou em 2025 o "Nova Indústria Brasil", com R$ 300 bilhões em crédito para a indústria. O plano da Apex é complementar: enquanto o Nova Indústria financia a produção, a Apex financia a venda externa.
Críticas e riscos do plano
Especialistas apontam dois riscos. Primeiro, a concentração em países com instabilidade política, como Quênia e Paquistão. Segundo, a falta de infraestrutura logística em portos brasileiros. O Porto de Santos, responsável por 30% do comércio exterior, opera no limite da capacidade.
A Apex reconhece os riscos, mas afirma que o plano inclui seguro de crédito à exportação via Banco do Brasil e BNDES.
Perguntas Frequentes
Quanto a Apex vai investir no plano de diversificação?
R$ 130 milhões, anunciados em maio de 2026.
Quais países são prioridade?
Indonésia, Arábia Saudita, Quênia, Vietnã, Índia e África do Sul.
Pequenas empresas podem participar?
Sim. O plano prevê consultoria gratuita e participação em feiras internacionais com subsídio.
O plano substitui a parceria com a China?
Não. A China continua sendo o maior parceiro. O objetivo é reduzir a dependência, não eliminar.
Como se inscrever no plano?
Pelo site da Apex, a partir de julho de 2026. As inscrições são abertas para empresas de qualquer porte.
Qual o prazo do plano?
Dois anos, com possibilidade de renovação por mais dois.