ApexBrasil diz que trabalhará para ampliar isenções ao tarifaço - análise fria do que muda
A ApexBrasil, agência brasileira de promoção de exportações, anunciou que atuará junto ao governo dos EUA para ampliar as isenções ao tarifaço de 25% sobre aço e alumínio, imposto pelo presidente Donald Trump. A declaração veio após reunião com representantes do setor siderúrgico, que alertaram para perdas de até US$ 1,5 bilhão em exportações. Mas o que, de fato, muda com essa promessa? Vamos dissecar o discurso.
A promessa da ApexBrasil é clara: negociar para incluir mais produtos na lista de exceções do tarifaço. Atualmente, o Brasil já tem cotas de isenção para parte do aço, mas a alíquota extra de 25% atinge itens como alumínio bruto e laminados. A agência quer ampliar o leque para setores como aviação, máquinas agrícolas e autopeças.
O que a ApexBrasil realmente disse
Em nota oficial, a ApexBrasil afirmou que "trabalhará incansavelmente" para ampliar as isenções. Na prática, isso significa intensificar o lobby em Washington e usar os canais diplomáticos já estabelecidos. A agência não detalhou prazos ou metas concretas, o que sugere que o processo pode ser longo.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras de aço para os EUA somaram US$ 2,3 bilhões em 2025. Desse total, cerca de 40% já estavam cobertos por cotas de isenção. O restante, US$ 1,38 bilhão, é o alvo da negociação.
Setores mais expostos ao tarifaço
O tarifaço de Trump não atinge todo o aço brasileiro de forma homogênea. Os setores mais vulneráveis são:
- Siderurgia: alumínio bruto e laminados, com alíquota extra de 25%. Empresas como Novelis e Albras são as mais afetadas.
- Aviação: componentes de alumínio para aeronaves, como os da Embraer, que podem perder competitividade.
- Máquinas agrícolas: implementos com partes de aço, como colheitadeiras e tratores, que enfrentam tarifas de até 30%.
- Autopeças: peças de alumínio e aço para montadoras americanas, que podem ser substituídas por fornecedores mexicanos.
Segundo a Associação Brasileira de Alumínio (Abal), as exportações de alumínio bruto para os EUA caíram 15% no primeiro trimestre de 2026, reflexo direto do tarifaço.
Estratégia da ApexBrasil: lobby e diplomacia
A ApexBrasil planeja usar três frentes para ampliar as isenções:
- Diplomacia direta: reuniões com o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) e o Departamento de Comércio.
- Lobby setorial: parceria com associações americanas que se opõem ao tarifaço, como a National Association of Manufacturers.
- Acordos bilaterais: uso do acordo comercial Brasil-EUA de 2024 acordo comercial Brasil-EUA, que prevê mecanismos de consulta.
A agência também estuda acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC), mas o processo é lento e não garante resultado imediato.
Impacto real para o exportador brasileiro
Para o pequeno e médio exportador, a notícia é morna. A ampliação de isenções, se concretizada, pode demorar meses. Enquanto isso, quem já exporta para os EUA precisa renegociar contratos ou buscar mercados alternativos, como a China e a União Europeia.
Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), o tarifaço pode reduzir o PIB brasileiro em 0,3% em 2026, com impacto concentrado nos setores de metalurgia e transportes.
Perguntas Frequentes
A ApexBrasil já conseguiu alguma isenção antes?
Sim. Em 2018, durante o primeiro tarifaço de Trump, o Brasil negociou cotas de isenção para 70% do aço exportado. O processo levou seis meses.
Quais produtos têm mais chance de serem incluídos?
Alumínio laminado, componentes de aviação e peças de máquinas agrícolas são os mais cotados, por terem menor impacto na indústria americana.
O tarifaço afeta apenas aço e alumínio?
Não. Há tarifas de 25% sobre semicondutores e 10% sobre autopeças, que também afetam exportações brasileiras.
Quanto tempo leva uma negociação desse tipo?
Entre 3 e 12 meses, dependendo da vontade política do governo americano. A ApexBrasil não deu prazo.
O que fazer enquanto a isenção não sai?
Diversificar mercados, renegociar contratos com cláusulas de variação cambial e buscar financiamento do BNDES para exportação.