O Banco Central Europeu (BCE) deve elevar as taxas de juros na quinta-feira (9) pela segunda vez este ano, em resposta à disparada da inflação impulsionada pelo setor energético e desencadeada pela guerra com o Irã. A decisão busca conter o avanço dos preços na zona do euro, que importa combustíveis e sente o impacto direto da alta do petróleo e do gás.
Economistas esperam que o BCE eleve sua taxa básica de juros de 2,25% para 2,50% na quinta-feira, sinalizando que está pronto para apertar ainda mais a política monetária caso a inflação não melhore. "Um aumento da taxa de juros em setembro parece praticamente certo", disse Alessia Berardi, chefe de macroeconomia global do Amundi Investment Institute. "A inflação permanece elevada e deve continuar alta nos próximos meses, antes de começar a diminuir no segundo semestre do próximo ano."
A guerra com o Irã, que envolve ataques de ambos os lados desde o final de agosto, quebrou um mês de relativa calma e fez os preços do petróleo e do gás dispararem novamente. O petróleo Brent atingiu US$ 100 por barril na quarta-feira, e os temores de uma onda de aumentos de preços reacenderam na região. A presidente do BCE, Christine Lagarde, e seus colegas, reunidos em Berlim, devem revisar para cima as projeções de crescimento para este ano e possivelmente para 2027, refletindo a resiliência da economia, que tem resistido melhor que o previsto apesar dos custos elevados.
Apesar da pressão, os principais indicadores acompanhados pelo BCE têm sido benignos. A inflação subjacente, que exclui energia e alimentos, caiu para 2,4% no mês passado, e os consumidores reduziram as expectativas de alta de preços. Mas analistas do Barclays alertam que a pressão inflacionária aumenta silenciosamente, com preços de bens essenciais e ao produtor subindo mais rápido que os ao consumidor. "Isso deixa a inflação de bens básicos em uma base mais sólida", escreveram em nota.
Os mercados financeiros já precificam mais dois ou três aumentos até o final do próximo ano, e as condições de financiamento se tornaram mais restritivas, com rendimentos de títulos de longo prazo em níveis não vistos desde antes da crise financeira global. Para o consumidor comum, o impacto prático é direto: crédito mais caro, financiamentos menos atrativos e pressão sobre a renda, enquanto o BCE tenta domar a inflação sem frear o crescimento. A coletiva de Lagarde após a decisão deve trazer sinais sobre os próximos passos, incluindo a possibilidade de novos apertos em outubro e dezembro, como aponta Lorenzo Codogno, da LC Macro Advisors.