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Brasileiro médio vive 12,5 anos em condição ruim de saúde, diz estudo

ResumoO estudo da The Lancet Public Health revela que o brasileiro médio vive 12,5 anos em condição de saúde considerada ruim. O indicador calcula a diferença entre a expectativa de vida total e os anos vividos com saúde plena, destacando um período significativo de qualidade de vida comprometida na população brasileira.

O brasileiro vive, em média, 12,5 anos em condição de saúde considerada ruim, segundo estudo da The Lancet Public Health. O indicador mede a diferença entre expectativa de vida total e anos saudáveis.

Dani Quaresma
Brasileiro médio vive 12,5 anos em condição ruim de saúde, diz estudo

Brasileiro médio vive 12,5 anos em condição ruim de saúde, diz estudo — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Brasileiro médio vive 12,5 anos em condição ruim de saúde, diz estudo

O brasileiro vive, em média, 12,5 anos em condição de saúde considerada ruim, segundo um estudo publicado na revista científica The Lancet Public Health. O número corresponde à diferença entre a expectativa de vida ao nascer e a expectativa de vida saudável (HALE), indicador que desconta do total de anos vividos o tempo passado com doença ou incapacidade.

O que significa viver 12,5 anos em má saúde?

Na prática, o brasileiro médio passa mais de uma década convivendo com alguma doença ou limitação funcional. O estudo integra o Global Burden of Disease (GBD) 2023, conduzido pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), da Universidade de Washington, com financiamento da Fundação Gates. O intervalo de incerteza da estimativa para o Brasil vai de 9,5 a 15,9 anos.

Como o Brasil se compara a outros países?

Entre os 204 países e territórios analisados, o Brasil ocupa a 16ª posição em número de anos vividos em má saúde. A lista é liderada por Estados Unidos (14 anos), Austrália (13,9) e Canadá (13,7). Os menores valores foram registrados em Nauru (6,9), Ilhas Salomão (7,3) e Laos (7,4).

A evolução do indicador desde 1990

Em 1990, o indicador brasileiro era de 10,4 anos, fazendo com que a alta acumulada seja de 2,1 anos, ou 20%. A média global passou de 8,8 para 10,7 anos no mesmo período, um aumento de 21,9%. Na super-região que reúne América Latina e Caribe, o índice subiu de 10,4 para 11,9 anos. Os autores registram avanço do indicador em 203 dos 204 países e territórios avaliados. A única exceção foi a Palestina.

O impacto da pandemia de Covid-19

Durante a pandemia da Covid-19, a série brasileira apresentou oscilação: 11,7 anos em 2020, 11,4 em 2021, 12,2 em 2022 e 12,5 em 2023. O estudo classifica o período de 2020 a 2022 como fase de disrupção das tendências, com queda simultânea da expectativa de vida e da expectativa de vida saudável.

Quais doenças mais contribuem para os anos perdidos?

Em escala global, cinco grupos de causas responderam por 57,4% dos anos vividos em má saúde em 2023. Entre os fatores de risco, o estudo aponta glicemia de jejum elevada, índice de massa corporal alto, desnutrição infantil e materna e uso de tabaco como principais contribuintes globais. Na América Latina e Caribe, a lista regional é encabeçada por glicemia de jejum elevada e IMC alto.

Diferença entre homens e mulheres

O levantamento também identifica diferença entre sexos: em 2023, o tempo vivido em má saúde foi de 12,1 anos para mulheres e 9,3 anos para homens, no cálculo global. Os autores afirmam que os intervalos de incerteza das estimativas por país se sobrepõem entre os anos analisados. Por isso, as conclusões sobre expansão da morbidade se baseiam na consistência e na direção das tendências entre localidades, e não em variações estatisticamente significativas em cada país.

Limitações do estudo

O estudo registra ainda que as estimativas são nacionais e regionais, o que oculta desigualdades subnacionais e socioeconômicas, e que os dados refletem tendências populacionais, não trajetórias individuais.

Perguntas Frequentes

O que é expectativa de vida saudável (HALE)?

É um indicador que desconta do total de anos vividos o tempo passado com doença ou incapacidade, medindo quantos anos uma pessoa pode esperar viver em boa saúde.

Qual a diferença entre expectativa de vida e HALE no Brasil?

A diferença é de 12,5 anos, segundo o estudo da The Lancet Public Health.

O Brasil melhorou ou piorou desde 1990?

O indicador piorou: subiu de 10,4 anos em 1990 para 12,5 anos em 2023, um aumento de 20%.

Quais são os principais fatores de risco no Brasil?

Glicemia de jejum elevada e índice de massa corporal alto são os principais fatores de risco na América Latina e Caribe, segundo o estudo.

O estudo considera desigualdades dentro do Brasil?

Não. As estimativas são nacionais e regionais, ocultando desigualdades subnacionais e socioeconômicas.

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Dani Quaresma

Editoria Destaques

Dani Quaresma cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.