Carne, café e suco de laranja: veja o que os EUA deixaram fora do tarifaço
O governo dos Estados Unidos anunciou, em maio de 2025, uma nova rodada de tarifas sobre importações, mas deixou de fora uma lista de produtos que inclui carne bovina, café e suco de laranja. A medida, que entrou em vigor em junho, elevou as alíquotas para itens como aço, alumínio e eletrônicos, mas preservou setores considerados estratégicos ou com baixa oferta doméstica. Carne bovina, café e suco de laranja estão entre os produtos que os EUA excluíram do novo tarifaço, anunciado em 2025. A isenção atende a setores com baixa produção doméstica ou acordos comerciais, como o USMCA. Para o Brasil, a medida pode beneficiar exportações de café e suco, mas a carne enfrenta concorrência de México e Canadá.
Por que carne, café e suco de laranja ficaram de fora?
A decisão de excluir esses produtos reflete a dependência dos EUA de importações para suprir a demanda interna. No caso do café, por exemplo, o país não produz o grão em escala comercial, todo o consumo depende de compras externas. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o país importou cerca de 30 milhões de sacas de café em 2024, sendo o Brasil o maior fornecedor, com 35% do total. O suco de laranja segue lógica semelhante: a Flórida, maior produtor americano, enfrenta quedas consecutivas na safra devido a doenças e furacões. Dados da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) indicam que o Brasil responde por 75% do suco de laranja consumido nos EUA.
Já a carne bovina tem um contexto mais complexo. Os EUA são o maior produtor mundial, mas o consumo interno supera a produção em cerca de 10%, segundo o USDA. A isenção beneficia diretamente México e Canadá, parceiros do USMCA (Acordo EUA-México-Canadá), que fornecem 70% da carne importada. O Brasil, que exporta carne bovina para os EUA sob cotas específicas, não foi incluído nas negociações do USMCA e enfrenta tarifas de 26% fora da cota.
O que muda para o Brasil?
Para o Brasil, a notícia é mista. O café e o suco de laranja, que já eram isentos de tarifas em acordos anteriores, mantêm a vantagem competitiva. Segundo o Ministério da Agricultura, as exportações de café para os EUA somaram US$ 3,2 bilhões em 2024, enquanto o suco de laranja atingiu US$ 1,5 bilhão. A manutenção da isenção evita um aumento de custos que poderia reduzir a demanda.
No caso da carne, o cenário é menos favorável. As exportações brasileiras de carne bovina para os EUA representam apenas 5% do total vendido pelo país, mas o mercado é de alto valor agregado. A isenção para México e Canadá, sem contrapartida para o Brasil, mantém a desvantagem competitiva. O Brasil precisa negociar cotas adicionais ou acordos bilaterais para ampliar o acesso.
A lista completa de isenções
Além de carne, café e suco de laranja, os EUA excluíram do tarifaço outros produtos considerados essenciais ou com produção doméstica insuficiente. A lista inclui:
- Produtos farmacêuticos e insumos médicos: para evitar impacto na saúde pública.
- Semicondutores: peça-chave para a indústria eletrônica, com produção concentrada na Ásia.
- Minérios de terras raras: usados em baterias e equipamentos de defesa.
- Madeira e derivados: para manter a construção civil abastecida.
- Produtos lácteos: sob pressão do lobby agrícola doméstico.
A exclusão de carne, café e suco de laranja, no entanto, foi a que mais gerou debate, por envolver setores onde o Brasil tem forte presença.
O impacto no comércio global
O tarifaço americano, que elevou as alíquotas para uma média de 15% sobre US$ 300 bilhões em importações, já gerou retaliações da China e da União Europeia. Para o Brasil, a manutenção das isenções em produtos estratégicos abre uma janela de oportunidade, mas também expõe a fragilidade de não ter acordos comerciais robustos com os EUA.
Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Brasil precisa diversificar sua pauta de exportação e buscar acordos bilaterais para reduzir a dependência de commodities. O café e o suco de laranja são exemplos de setores que se beneficiam da isenção, mas a carne mostra o limite de atuar sem acordos preferenciais.
Perguntas Frequentes
Carne, café e suco de laranja estão realmente isentos?
Sim. A lista de isenções do tarifaço americano, publicada em maio de 2025, exclui explicitamente esses produtos, mantendo as alíquotas anteriores.
O Brasil pode aumentar as exportações de café para os EUA?
Sim, desde que mantenha a qualidade e a competitividade de preço. O mercado americano é o maior comprador de café brasileiro.
Por que a carne brasileira não foi incluída na isenção?
Porque a isenção beneficia países do USMCA (México e Canadá), que têm acordos comerciais com os EUA. O Brasil não faz parte do acordo.
O tarifaço afeta outros produtos brasileiros?
Sim. Aço, alumínio e eletrônicos brasileiros foram atingidos pelas novas tarifas, o que pode reduzir a competitividade desses setores.
Como o Brasil pode reverter a desvantagem na carne?
Negociando cotas adicionais ou um acordo bilateral com os EUA, mas o processo é lento e depende de interesses políticos.
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