Senta que lá vem história: o Brasil conseguiu reduzir o fogo em 2025, mas o Cerrado ainda é o campeão de área queimada. E não é pouca coisa, estamos falando de 8,7 milhões de hectares virados em cinzas, o que representa 68% de todo o território queimado no país. Apesar da queda de 31% em relação à média histórica, o bioma continua no centro do problema.
Segundo a segunda edição do Relatório Anual do Fogo no Brasil, divulgado pelo MapBiomas, o país registrou 12,7 milhões de hectares queimados em 2025, contra uma média anual de 18,4 milhões desde 1985. A boa notícia é que a Amazônia deu uma trégua: foram 3,1 milhões de hectares queimados, a menor área dos últimos 41 anos. Em 2024, o bioma havia registrado o maior índice da série histórica, com 15,8 milhões de hectares.
O que isso significa para a gente?
Se você mora em Goiás, onde 97% do território é coberto pelo Cerrado, o alerta é ainda mais direto. O bioma não é só paisagem bonita, ele abastece grandes bacias hidrográficas que levam água para milhões de brasileiros. Quando o fogo pega, a água também sente.
A pesquisadora Vera Laísa Arruda, do MapBiomas e do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), explica que o fogo até faz parte da dinâmica natural do Cerrado. O problema é quando ele vem com frequência e intensidade demais. "No Cerrado, o fogo faz parte da dinâmica natural do bioma, mas a incidência atual, marcada por eventos mais frequentes e extensos, pode ultrapassar a capacidade de recuperação da vegetação. Quando esse regime se intensifica, aumentam os riscos de perda de biodiversidade e degradação do bioma", afirmou.
O dado que assusta (e explica tudo)
O MapBiomas revelou que 66% de toda a área queimada no Cerrado desde 1985 voltou a pegar fogo pelo menos uma vez. É um ciclo vicioso: queima, regenera, queima de novo. E a vegetação nativa é a maior vítima, mais de 80% das áreas queimadas no Cerrado correspondem a vegetação nativa, diferente da Amazônia, onde o fogo atinge principalmente pastagens.
No período entre 1985 e 2025, 71,5% de toda a área queimada no Brasil ocorreu sobre vegetação nativa, enquanto 28,5% atingiram áreas destinadas à agropecuária e outras atividades humanas.
Quem mais queimou (e quem escapou)
O Pantanal foi o campeão de queda proporcional: 121 mil hectares queimados, redução de 85,6% em relação à média histórica. Já a Caatinga foi o único bioma que queimou acima da média no período.
Os estados de Mato Grosso, Pará e Maranhão concentram quase metade de toda a área queimada desde 1985, 47% do total nacional. E os municípios de Corumbá (MS) e São Félix do Xingu (PA) lideram o ranking histórico das cidades mais atingidas pelo fogo.
E agora, o que a gente faz com isso?
A redução de 31% mostra que dá para melhorar, mas o Cerrado continua sendo o ponto crítico. A atenção precisa se voltar para ações de prevenção e manejo do fogo, especialmente em Goiás e nos estados que concentram o bioma. Afinal, a água que bebemos, o ar que respiramos e a biodiversidade que nos rodeia dependem diretamente de um Cerrado vivo, e não queimado.
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Perguntas Frequentes
O Cerrado foi o bioma mais queimado em 2025?
Sim. O Cerrado concentrou 8,7 milhões de hectares queimados, o equivalente a 68% de toda a área atingida no Brasil.
O Brasil reduziu as queimadas em 2025?
Sim. Houve uma redução de 31% na área queimada em comparação com a média histórica, segundo o MapBiomas.
Qual bioma teve a maior queda nas queimadas?
O Pantanal, com redução de 85,6% em relação à média histórica, registrando 121 mil hectares queimados.
O que causa as queimadas no Cerrado?
O fogo faz parte da dinâmica natural do Cerrado, mas a frequência e intensidade atuais podem comprometer a regeneração da vegetação.
Quais estados mais queimam no Brasil?
Mato Grosso, Pará e Maranhão concentram 47% de toda a área queimada desde 1985.