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Disparada do petróleo acende alerta para nova pressão na inflação

ResumoA disparada do petróleo para próximo de US$ 100 por barril pelo quinto dia consecutivo acende alerta para nova pressão inflacionária global. O temor de disrupção nas cadeias de abastecimento reforça a expectativa de avanço da inflação nos próximos meses, impactando custos de produção e preços ao consumidor.

Os preços do petróleo têm novo dia de alta nesta quinta-feira (23), próximo ao patamar de US$ 100 pelo quinto dia seguido. A escalada reforça o temor de disrupção nas cadeias de abastecimento global e um possível avanço da inflação nos próximos meses. Entenda como isso pode afeta

Sol Henriques
Disparada do petróleo acende alerta para nova pressão na inflação

Disparada do petróleo acende alerta para nova pressão na inflação — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Disparada do petróleo acende alerta para nova pressão na inflação

Os preços do petróleo têm novo dia de alta nesta quinta-feira (23), próximo ao patamar de US$ 100 pelo quinto dia seguido. A escalada dos valores traz não só a mensagem de que os conflitos no Oriente Médio estão longe de acabar, como também reforça o temor de disrupção nas cadeias de abastecimento global e um possível avanço da inflação nos próximos meses. A disparada do petróleo acende alerta para nova pressão na inflação que pode chegar ao bolso do consumidor brasileiro.

Por que o petróleo está subindo?

Segundo André Braz, economista do FGV/Ibre, essa nova alta está sendo puxada, principalmente, pelas novas ofensivas entre os Estados Unidos e Irã. "Os ataques a navios no Mar Vermelho e os riscos à circulação pelo Estreito de Ormuz e pelo estreito de Bab el-Mandeb aumentaram o temor de interrupções no abastecimento", explica. De acordo com o especialista, essas rotas são estratégicas para o comércio mundial de petróleo, e os acontecimentos aos arredores dos estreitos causam rapidamente efeito no mercado e nas cotações.

Na noite de quinta-feira (23), os houthis, alinhados ao Irã, afirmaram que atacaram dois petroleiros sauditas como parte de um bloqueio naval à Arábia Saudita, ameaçando criar um segundo ponto de estrangulamento no fornecimento global de petróleo, além do quase fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã. Enquanto isso, as forças armadas dos EUA realizaram uma nova rodada de ataques contra o Irã, sob ordens do presidente Donald Trump, marcando a 12ª noite consecutiva de ataques americanos e provocando novas retaliações iranianas.

Como a alta do petróleo afeta a inflação?

Com o aumento do petróleo, novas aflições relacionadas à inflação aparecem. Segundo Braz, se o movimento se mostrar persistente, a inflação pode vir a piorar. O petróleo mais caro por várias semanas poderia levar o mercado a revisar para cima as projeções de inflação e reduzir ainda o espaço para cortes de juros, diz o economista.

André Matos, CEO da MA7 Capital, por sua vez, adiciona que um choque de petróleo mais persistente tende a afetar combustíveis, fretes e câmbio, o que, para ele, "são justamente os canais que contaminam a inflação mais à frente", afirma. Matos ainda reforça que o aumento de preços chega a 35% apenas neste mês.

Para ter contexto, o IPCA registrou variação de 0,58% em maio de 2026 (Banco Central do Brasil) e 0,67% em abril de 2026 (Banco Central do Brasil). Uma pressão adicional vinda do petróleo pode elevar esses números nos próximos meses.

Quando a gasolina vai subir no Brasil?

No entanto, o repasse nos preços da gasolina, por exemplo, não deve chegar por ora. "O reflexo tende a vir, mas com alguma defasagem, porque a Petrobras não repassa a variação diária e costuma esperar para ver se a alta é consistente antes de mexer nos preços da refinaria. Se o barril se firmar nesse patamar, a probabilidade de reajuste na gasolina e no diesel nas próximas semanas cresce bastante", afirma Matos.

Braz também acredita que, principalmente no Brasil, ainda é cedo para afirmar quando ou em que magnitude isso chegará às bombas, mas que "se o petróleo permanecer próximo de US$ 100 e o dólar também avançar, a pressão por reajustes da gasolina, do diesel e do gás de cozinha cresce".

O cenário internacional e o preço do barril

Às 10h (de Brasília), o petróleo Brent sobe 6,07%, a US$ 99,75 o barril, enquanto o WTI é cotado a US$ 91,08, alta de 4,91%. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, foi questionado sobre as recentes ameaças do presidente Donald Trump de "bombardear e destruir" uma ponte ou usina de energia sempre que o Irã atacar um navio no Estreito de Ormuz. Ao falar com jornalistas à margem da cúpula da ASEAN em Manila, capital das Filipinas, Rubio afirmou: "O Irã está nos implorando, direta e indiretamente: 'Vamos fazer um acordo. Vamos conversar. Vamos conversar'."

O que esperar para os próximos meses?

A combinação de petróleo perto de US$ 100, conflitos no Oriente Médio sem perspectiva de trégua e um dólar pressionado pode criar um cenário de inflação mais persistente no Brasil. Se a alta do petróleo se mantiver, o mercado pode revisar para cima as projeções de inflação, o que reduziria o espaço para cortes de juros pelo Banco Central. Para o consumidor, isso significa que combustíveis mais caros podem chegar nas próximas semanas, impactando também fretes e, consequentemente, o preço de diversos produtos.

Perguntas Frequentes

O petróleo já está a US$ 100?

Nesta quinta-feira (23), o Brent subiu 6,07%, a US$ 99,75 o barril, muito próximo do patamar de US$ 100 pelo quinto dia seguido.

Quando a gasolina vai subir no Brasil?

Ainda não há reajuste confirmado. A Petrobras não repassa a variação diária e costuma esperar para ver se a alta é consistente antes de mexer nos preços da refinaria. Se o barril se firmar nesse patamar, a probabilidade de reajuste nas próximas semanas cresce.

Como a alta do petróleo afeta a inflação?

Segundo economistas, um choque de petróleo mais persistente afeta combustíveis, fretes e câmbio, que são os canais que contaminam a inflação à frente. Se o movimento se mostrar persistente, a inflação pode piorar e reduzir o espaço para cortes de juros.

O que está causando a alta do petróleo?

A alta é puxada principalmente pelas novas ofensivas entre os Estados Unidos e Irã, com ataques a navios no Mar Vermelho e riscos à circulação pelos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb. Os houthis também afirmaram ter atacado petroleiros sauditas.

A alta do petróleo vai afetar o gás de cozinha?

Sim. Se o petróleo permanecer próximo de US$ 100 e o dólar também avançar, a pressão por reajustes da gasolina, do diesel e do gás de cozinha cresce, segundo o economista André Braz.

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Sol Henriques

Editoria Destaques

Sol Henriques cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.