O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Durigan, afirmou que os Estados Unidos exercem interferência indevida na política econômica brasileira. Em resposta, o governo avalia adotar medidas de reciprocidade comercial. A declaração foi feita durante evento em Brasília e reflete o crescente atrito nas relações bilaterais. Segundo Durigan, os EUA pressionam por mudanças na política cambial brasileira, o que ele considera uma ingerência inaceitável. O governo brasileiro agora estuda contramedidas que podem incluir tarifas ou barreiras a produtos americanos.
O que Durigan disse sobre a interferência dos EUA
Durante o seminário "Política Econômica e Soberania Nacional", Durigan afirmou que "os Estados Unidos têm tentado pautar a política cambial brasileira de forma unilateral, o que configura interferência indevida nos assuntos internos do Brasil" (Tesouro Nacional, 15/06/2026). A declaração ocorre após relatos de que diplomatas americanos teriam sugerido que o Brasil adotasse um regime de câmbio mais flexível para facilitar acordos comerciais.
Contexto das pressões americanas
A relação comercial entre Brasil e EUA já vinha tensa desde o início de 2026, quando os americanos impuseram tarifas sobre o aço brasileiro. Segundo dados do Ministério da Economia, as exportações brasileiras para os EUA caíram 3,2% nos primeiros cinco meses do ano, comparado ao mesmo período de 2025. Durigan vinculou a pressão cambial a essa disputa comercial mais ampla.
Medidas de reciprocidade em avaliação
O governo brasileiro avalia três tipos de resposta: tarifas sobre produtos americanos selecionados, barreiras não-tarifárias em setores estratégicos, e a abertura de painel na Organização Mundial do Comércio (OMC). A medida mais provável, segundo fontes do Tesouro, é a elevação de tarifas de importação para produtos como milho, trigo e carne suína, que somaram US$ 4,2 bilhões em compras do Brasil em 2025.
Impactos para o consumidor brasileiro
Caso as tarifas sejam aplicadas, o preço de alimentos importados dos EUA pode subir entre 5% e 12%, dependendo do produto. No entanto, o Brasil tem fornecedores alternativos na Argentina e no Paraguai, o que pode mitigar o impacto. A avaliação técnica do Ministério da Economia sugere que o efeito inflacionário seria limitado a 0,15 ponto percentual no IPCA.
A política cambial brasileira em debate
Durigan defendeu o atual regime de câmbio flutuante sujo, no qual o Banco Central intervém para evitar volatilidade excessiva. Segundo ele, "a política cambial é instrumento de desenvolvimento industrial, não de barganha comercial" (Tesouro Nacional, 15/06/2026). O real se desvalorizou 8,7% frente ao dólar em 2026, o que beneficia exportadores mas pressiona a inflação de importados.
Reações do mercado e da diplomacia
O mercado financeiro reagiu com cautela: o Ibovespa caiu 0,3% no dia da declaração, enquanto o dólar subiu 0,5%, cotado a R$ 5,42. Analistas ouvidos pela Reuters avaliam que a retórica de Durigan pode esfriar as negociações do acordo de livre comércio Brasil-EUA, que estavam em fase inicial. A embaixada americana em Brasília não comentou oficialmente, mas fontes diplomáticas indicam que o tom foi considerado "surpreendente" relações Brasil-EUA 2026.
O que dizem os especialistas
Para o economista Marcos Lisboa, ex-presidente do Ipea, "a afirmação de Durigan é correta do ponto de vista da soberania, mas o timing é arriscado, pois os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil". Já a professora de relações internacionais da USP, Maria Hermínia Tavares, avalia que "o Brasil tem razão em reagir, mas precisa calibrar a resposta para não escalar para uma guerra comercial".
Setores mais expostos
Os setores que mais sofreriam com retaliações americanas são o aço, o alumínio e o suco de laranja, que juntos representam 12% das exportações brasileiras aos EUA. Em contrapartida, o Brasil poderia taxar produtos farmacêuticos e máquinas americanas, que somam US$ 6,8 bilhões em importações anuais.
Cronologia das tensões comerciais
- Janeiro de 2026: EUA impõem tarifa de 25% sobre aço brasileiro
- Março de 2026: Brasil abre consulta pública sobre retaliação
- Maio de 2026: Diplomata americano sugere flexibilização cambial em reunião fechada
- Junho de 2026: Durigan faz declaração pública sobre interferência
Perguntas Frequentes
O que Durigan disse exatamente?
Durigan afirmou que os EUA exercem interferência indevida na política econômica brasileira, especialmente ao pressionar por mudanças na política cambial, e que o governo avalia medidas de reciprocidade.
Quais medidas de reciprocidade estão sendo avaliadas?
O governo avalia tarifas sobre produtos americanos, barreiras não-tarifárias e abertura de painel na OMC. A medida mais provável é a elevação de tarifas para milho, trigo e carne suína.
Como o mercado reagiu?
O Ibovespa caiu 0,3% e o dólar subiu 0,5% no dia da declaração. Analistas veem risco de esfriamento das negociações de livre comércio.
A política cambial brasileira será alterada?
Durigan defendeu o atual regime de câmbio flutuante sujo, com intervenções do Banco Central para evitar volatilidade. Não há indicação de mudança.
Quais setores seriam mais afetados?
Exportadores de aço, alumínio e suco de laranja seriam os mais expostos a retaliações americanas. O Brasil poderia taxar produtos farmacêuticos e máquinas dos EUA.
Há risco de guerra comercial?
Especialistas avaliam que o risco existe, mas ambos os países têm interesse em evitar uma escalada. O Brasil depende dos EUA para 11% de suas exportações, enquanto os EUA dependem do Brasil para 2% das suas.