A sessão extraordinária convocada pelo presidente do STF, Edson Fachin, para 15 de setembro, às 10h, coloca em pauta a controvérsia em torno do relatório da Polícia Federal que reuniu registros de conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O caso tramita em petição relatada por André Mendonça, e os ministros deverão decidir se foi regular a ordem que levou ao aprofundamento da análise dos dados do celular de Vorcaro, se as informações obtidas podem ser aproveitadas e qual o destino dos elementos que envolvem Moraes.
A PGR pediu a anulação da decisão de Mendonça que determinou a identificação de interlocutores de Vorcaro. Segundo o órgão, a medida buscou elementos contra outro ministro do STF sem comunicação prévia à Presidência da Corte e sem análise do plenário, o que também invalidaria o material obtido. Mendonça, por sua vez, afirmou em 1º de setembro que caberia aos 10 ministros analisar os novos elementos apresentados pela PF.
A controvérsia teve origem nas investigações sobre o Banco Master. Em 24 de agosto, Mendonça pediu à PF informações atualizadas sobre o andamento das apurações, com foco na identificação de integrantes de uma suposta rede de influência atribuída a Vorcaro. Após receber a resposta, determinou que o conteúdo passasse a tramitar em processo separado, na petição 16.662, e abriu prazo para manifestação da PGR.
O relatório da PF tem 218 páginas e traz a análise de dados extraídos do celular de Vorcaro. Entre os registros, está um contato salvo como "Alexandre de Moraes Brasília", número repassado por Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações, em dezembro de 2023. O material reúne relatos de encontros e contatos, incluindo uma mensagem enviada por Vorcaro a Moraes pouco antes de sua primeira prisão, em 17 de novembro de 2025. Na manhã seguinte, a PF deflagrou a Operação Compliance Zero e o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.
A crise se ampliou após outros relatórios de inteligência da PF chegarem a Moraes, que encaminhou à Presidência do STF uma decisão citando "fortes indícios" de improbidade administrativa contra Mendonça. Fachin suspendeu o processo e convocou a sessão de 15 de setembro. Estão em jogo três pontos: a legalidade da ordem de Mendonça, a validade do material da PF e o pedido da PGR de anulação. Caberá ao plenário definir se as informações poderão embasar uma investigação contra Moraes ou se o caso será arquivado.