EUA confirmam novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros: o que se sabe até agora
Senta que lá vem história. No fim de maio de 2026, o governo dos Estados Unidos confirmou o que já era esperado nos bastidores da diplomacia: a imposição de uma tarifa de 25% sobre a importação de aço, alumínio e uma lista de outros produtos brasileiros. A notícia pegou o mercado de surpresa pela abrangência, mas não exatamente pelo teor, afinal, as relações comerciais entre os dois países já vinham em clima de tensão. Nós, aqui, vamos reconstruir os fatos em ordem de novela, sem perder o fio da meada.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a tarifa de 25% será aplicada a partir de julho de 2026 sobre itens como aço laminado, alumínio primário, suco de laranja concentrado, etanol e carne bovina in natura. A decisão foi comunicada oficialmente pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) em 28 de maio, com base em uma investigação de segurança nacional.
Como a tarifa de 25% foi anunciada pelos EUA
O anúncio não veio do nada. Desde o início de 2026, o governo americano sinalizava que revisaria as cotas de importação para países como Brasil, Argentina e Coreia do Sul. A justificativa oficial, segundo o USTR, é proteger a indústria siderúrgica americana de um excesso de oferta global (USTR, comunicado de imprensa, 28 mai 2026). Na prática, o Brasil perdeu a isenção parcial que vigorava desde 2018.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que as exportações brasileiras de aço para os EUA, que somaram US$ 2,1 bilhões em 2025, podem cair até 40% com a nova tarifa. O setor de alumínio, por sua vez, exportou US$ 800 milhões no mesmo período, e projeta retração de 30%.
Setores mais afetados pelo tarifaço americano
Nós separamos os principais segmentos que devem sentir o impacto na pele:
- Siderurgia: aço laminado, chapas e tubos. Empresas como Gerdau e Usiminas são as mais expostas.
- Metalurgia do alumínio: alumínio primário e ligas. A Albras e a Novelis lideram as exportações.
- Agronegócio: suco de laranja concentrado (maior fornecedor dos EUA), etanol e carne bovina in natura.
- Calçados e têxteis: couro e calçados de couro também entraram na lista, com tarifa de 25%.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) informou que o suco de laranja brasileiro responde por 75% do mercado americano, e a tarifa pode elevar o preço ao consumidor nos EUA em até 15%.
Reação do governo brasileiro à tarifa de 25%
O governo brasileiro não esperou muito. Já no dia seguinte ao anúncio, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) convocou o embaixador americano em Brasília para uma reunião de emergência. Em nota oficial, o Itamaraty classificou a medida como "unilateral e desproporcional" e anunciou que o Brasil recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) (MRE, nota à imprensa, 29 mai 2026).
Além disso, o governo estuda uma lista de retaliação que inclui tarifas sobre produtos americanos como milho, trigo, algodão e medicamentos. A Câmara de Comércio Exterior (Camex) deve se reunir em junho para definir os percentuais.
O que muda na prática para o consumidor brasileiro
A curto prazo, o consumidor brasileiro não deve sentir alta imediata nos preços, já que a tarifa incide sobre exportações, não importações. Mas a médio prazo, se houver retaliação, produtos americanos como trigo (que abastece a indústria de pães e massas) podem ficar mais caros. A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) alerta que o Brasil importa 60% do trigo que consome, sendo 25% dos EUA.
Histórico das relações comerciais Brasil-EUA
Não é a primeira vez que os dois países trocam farpas comerciais. Em 2018, o governo Trump impôs tarifas de 25% sobre aço e 10% sobre alumínio para vários países, incluindo o Brasil. Na época, o Brasil negociou cotas de exportação que evitaram a tarifa plena. Agora, com a nova administração americana, as cotas foram eliminadas e a tarifa voltou com força total.
Segundo o Banco Central, a balança comercial bilateral registrou superávit de US$ 12 bilhões para o Brasil em 2025, com exportações totais de US$ 35 bilhões. O tarifaço de 25% pode reduzir esse saldo em até US$ 3 bilhões no primeiro ano, de acordo com projeções do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Perguntas Frequentes
Quais produtos brasileiros serão taxados em 25% pelos EUA?
Aço laminado, alumínio primário, suco de laranja concentrado, etanol, carne bovina in natura, couro e calçados de couro estão na lista oficial do USTR.
Quando a tarifa de 25% começa a valer?
A tarifa entra em vigor em julho de 2026, conforme comunicado do governo americano.
O Brasil vai retaliar?
Sim. O governo brasileiro estuda tarifas sobre milho, trigo, algodão e medicamentos americanos, e já anunciou recurso à OMC.
A tarifa afeta o consumidor brasileiro?
A curto prazo, não. Mas se houver retaliação, produtos como trigo podem ficar mais caros no Brasil.
O que motivou a decisão dos EUA?
O governo americano alega proteção da indústria siderúrgica nacional contra excesso de oferta global.
Como ficam as exportações de aço brasileiro?
A CNI projeta queda de até 40% nas exportações de aço para os EUA, que somaram US$ 2,1 bilhões em 2025.