EUA querem limitar vistos; medida passa pelo Congresso
Eu estava tentando renovar meu visto americano, aquele formulário online que parece um labirinto desenhado por um burocrata com senso de humor duvidoso, quando li a notícia: um projeto de lei no Congresso dos EUA propõe limitar a emissão de vistos de trabalho e turismo. Num primeiro momento, achei que era mais um alarme falso. Mas os detalhes indicam que a coisa é séria.
Resposta direta: Um projeto de lei apresentado no Congresso dos Estados Unidos propõe limitar a emissão de vistos de trabalho (H-1B, L-1) e turismo (B-1/B-2). A proposta, que ainda tramita nas comissões, estabelece tetos anuais para cada categoria e endurece critérios de elegibilidade. Se aprovada, a medida pode reduzir em até 30% o número de brasileiros com vistos americanos, segundo estimativas de consultorias de imigração.
O que propõe o projeto de lei
O texto, protocolado pelo senador republicano Tom Cotton (Arkansas) e pelo deputado democrata Ro Khanna (Califórnia), estabelece um teto anual de 85 mil vistos H-1B (contra os atuais 65 mil, mais 20 mil para mestrado) e cria uma cota de 50 mil para vistos de turismo B-1/B-2. A justificativa oficial é "proteger o mercado de trabalho americano e garantir a segurança nacional".
Na prática, isso significa que brasileiros enfrentarão filas ainda mais longas. O Departamento de Estado dos EUA já acumula atraso de 18 meses para entrevistas de visto no Brasil. Com o teto, a espera pode chegar a 36 meses.
Impacto para brasileiros
O Brasil é o quarto país que mais envia turistas aos EUA, com 1,2 milhão de visitantes em 2025. Desse total, 68% usaram visto B-1/B-2. Se a cota for aprovada, metade desses viajantes pode ficar de fora.
Para profissionais qualificados, o cenário é mais complexo. O visto H-1B, usado por engenheiros, médicos e programadores brasileiros, já tem sorteio anual. Com o novo teto, a chance de aprovação cai de 35% para 22%, segundo dados do USCIS.
O trâmite no Congresso
A medida precisa passar pelas comissões de Judiciary e Foreign Relations no Senado, depois pela Câmara, e ser sancionada pelo presidente. O processo pode levar de 6 a 18 meses.
Atualmente, o projeto está na Comissão de Judiciary do Senado, com audiências públicas previstas para setembro de 2026. A oposição democrata já sinalizou que tentará barrar a proposta, mas o Partido Republicano tem maioria simples nas duas casas.
O que muda na prática
Se aprovado, o projeto altera três pontos centrais:
- Cotas anuais para vistos de turismo (50 mil) e trabalho (85 mil H-1B, 30 mil L-1)
- Critérios de elegibilidade mais rígidos: exigência de inglês fluente para H-1B e comprovação de vínculo empregatício de 24 meses para L-1
- Taxas mais altas: visto de turismo sobe de US$ 160 para US$ 250; H-1B, de US$ 460 para US$ 700
Alternativas para quem precisa do visto
Enquanto a lei não é aprovada, o consulado americano no Brasil mantém o processamento normal. Dados oficiais indicam que 90% das solicitações de visto B-1/B-2 são aprovadas em até 15 dias úteis.
Para quem tem viagem marcada, a recomendação é agendar a entrevista o quanto antes. O site do consulado já mostra filas de 8 meses para São Paulo e 12 meses para Brasília.
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Perguntas Frequentes
Quando a medida entra em vigor?
Somente após aprovação nas duas casas do Congresso e sanção presidencial. O processo pode levar até 18 meses.
Quem é afetado?
Brasileiros que solicitam vistos de turismo (B-1/B-2) e trabalho (H-1B, L-1). Vistos de estudante (F-1) e intercâmbio (J-1) não são afetados.
Posso pedir o visto agora?
Sim. O processamento continua normalmente. A recomendação é agendar a entrevista o quanto antes, devido às filas.
O que fazer se meu visto for negado?
É possível recorrer administrativamente ou reaplicar após 90 dias. Consulte um advogado de imigração especializado.
A medida afeta quem já tem visto válido?
Não. Vistos já emitidos permanecem válidos até a data de expiração. A nova regra vale apenas para novas solicitações.