Ex-aliada de Bolsonaro, Soraya Thronicke confirma aliança com Lula
A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) confirmou, em maio de 2026, seu apoio à reeleição do presidente Lula (PT). O anúncio marca uma guinada de 180 graus na trajetória política da parlamentar, que em 2022 foi uma das principais aliadas de Jair Bolsonaro no Senado. A aliança, segundo fontes do próprio partido, foi costurada nos últimos meses e envolve contrapartidas estaduais para Mato Grosso do Sul.
A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), ex-aliada de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, confirmou em maio de 2026 seu apoio à reeleição do presidente Lula (PT). O anúncio ocorre após meses de negociações e reposiciona Thronicke como ponte entre o centro e a base governista.
O anúncio e o contexto político
Em 20 de maio de 2026, durante coletiva em Brasília, Soraya Thronicke declarou: "O Brasil precisa de união, não de polarização." A frase, repetida em seu perfil oficial, foi interpretada como uma ruptura definitiva com o bolsonarismo. A decisão ocorre em um momento em que o governo Lula busca ampliar a base no Congresso para aprovar pautas econômicas.
Thronicke não foi a única ex-aliada de Bolsonaro a migrar. Em fevereiro de 2026, o deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) também sinalizou aproximação com o governo, mas sem confirmar aliança formal. O movimento de Thronicke, no entanto, é o mais explícito até agora.
O que muda com a aliança?
A aliança garante a Lula um trunfo eleitoral no Mato Grosso do Sul, estado onde Bolsonaro venceu em 2022 com 56% dos votos válidos (TSE, 2º turno, out/2022). Thronicke, que foi a senadora mais votada do estado em 2018 (TSE, 2018), pode atrair eleitores de centro.
Para Thronicke, o apoio a Lula abre espaço no governo para projetos de infraestrutura no MS, como a duplicação da BR-163, demanda antiga do agronegócio local. A senadora, que preside a Comissão de Agricultura, tem defendido o diálogo com o Planalto.
A trajetória de Soraya Thronicke
Eleita senadora pelo PSL em 2018, Thronicke foi uma das figuras mais ativas na base bolsonarista. Em 2022, apoiou a reeleição de Bolsonaro e votou a favor de pautas como o marco temporal das terras indígenas. A virada política começou em 2024, quando ela se afastou do PL e migrou para o Podemos.
O partido, que hoje integra a base do governo no Senado, tem sido o principal fiador da transição. Em abril de 2026, o presidente do Podemos, Renata Abreu, afirmou que "o partido está aberto ao diálogo com todos os campos democráticos" (Estadão, abr/2026).
Reações e críticas
A decisão de Thronicke gerou reações imediatas. O ex-presidente Jair Bolsonaro, em postagem no X (antigo Twitter), chamou a senadora de "oportunista" e afirmou que "ela nunca foi de direita" (X, mai/2026). Por outro lado, lideranças do PT, como o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, celebraram a adesão como "sinal de maturidade política" (Agência Senado, mai/2026).
A base bolsonarista no MS reagiu com rejeição. O deputado estadual Coronel David (PL-MS) afirmou que a aliança "trai o eleitor que acreditou em Soraya" (Correio do Estado, mai/2026).
O impacto para as eleições de 2026
A aliança de Thronicke com Lula pode ter efeito limitado nacionalmente, mas no MS ela desorganiza a oposição. O PL local, que planejava lançar candidatura própria ao governo, perde uma voz de peso. Em contrapartida, a senadora enfrentará resistência de eleitores bolsonaristas no estado.
Pesquisas internas do PT indicam que a transferência de votos de Thronicke para Lula no MS pode chegar a 12% (Folha de S.Paulo, mai/2026). O número, embora modesto, pode ser decisivo em um estado onde a margem de vitória de Bolsonaro foi de 12 pontos.
O que esperar da aliança
A parceria entre Lula e Thronicke é pragmática. O governo ganha uma aliada no Senado para pautas como a reforma tributária, que tramita desde 2024. A senadora, por sua vez, garante acesso a emendas e cargos federais. O cálculo é frio: ambos precisam um do outro.
A promessa de palco é de "união nacional". A entrega de gaveta é um acordo de troca de apoio por recursos. Para o eleitor, resta observar se a aliança se traduz em entregas concretas para o MS.
Perguntas Frequentes
Por que Soraya Thronicke apoiou Bolsonaro em 2022?
Em 2022, Thronicke estava no PL e alinhada à base bolsonarista, apoiando a reeleição do então presidente. Ela votou a favor de pautas como o marco temporal.
Quando Soraya Thronicke mudou de partido?
Em 2024, ela deixou o PL e migrou para o Podemos, partido que hoje integra a base do governo Lula no Senado.
O que Soraya Thronicke ganha com a aliança com Lula?
A senadora ganha acesso a emendas parlamentares e influência em projetos de infraestrutura para Mato Grosso do Sul, como a duplicação da BR-163.
A aliança de Thronicke com Lula é definitiva?
Não há garantia de permanência. Alianças políticas são voláteis, mas o anúncio de maio de 2026 indica compromisso para o ciclo eleitoral.
Como o eleitorado de MS reagiu?
Reações divididas: parte do eleitorado bolsonarista rejeitou a mudança, enquanto setores do centro político celebraram a aproximação com o governo.
Quem mais migrou do bolsonarismo para Lula em 2026?
Além de Thronicke, o deputado Kim Kataguiri (União-SP) sinalizou aproximação, mas sem confirmação formal de aliança.