Ex-OMC teme que eleição ofusque prejuízos decorrentes do tarifaço dos EUA
O ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, afirmou que o calendário eleitoral brasileiro pode ofuscar os prejuízos reais do tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Em entrevista à Reuters, ele alertou que a polarização política desvia a atenção de impactos concretos na economia, como a queda nas exportações de aço e carne. Segundo a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), as tarifas de 25% sobre aço e alumínio, em vigor desde março de 2025, já reduziram os embarques do setor em 12% no primeiro trimestre.
Resposta direta: O ex-diretor da OMC, Roberto Azevêdo, teme que a eleição presidencial no Brasil desvie o foco dos prejuízos reais do tarifaço dos EUA. As tarifas de 25% sobre aço e alumínio, impostas em março de 2025, já reduziram exportações brasileiras em 12%, segundo a AEB. Azevêdo defende que o debate público foque em medidas concretas de mitigação.
O alerta de Azevêdo sobre o tarifaço americano
Roberto Azevêdo, que comandou a OMC entre 2013 e 2020, disse que a imposição de tarifas unilaterais pelos EUA fere as regras do comércio multilateral. Ele citou que as sobretaxas de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio, anunciadas pelo governo Trump em 2025, afetam diretamente o Brasil, um dos maiores exportadores mundiais desses produtos. "O risco é que, com a corrida eleitoral, ninguém cobre ações efetivas de negociação ou compensação", afirmou Azevêdo (Reuters, jun/2026).
Para ele, o governo brasileiro deveria priorizar a abertura de painéis na OMC e acionar mecanismos de retaliação, como já fez em 2020, quando foi autorizado a aplicar sanções de US$ 1,2 bilhão contra produtos americanos. Azevêdo também recomendou que o Brasil busque acordos com a União Europeia e a China para diversificar mercados.
Impactos do tarifaço na economia brasileira
Os números mostram que o tarifaço já cobra seu preço. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações de aço para os EUA caíram 15% em maio de 2026, na comparação com o mesmo mês de 2025. O setor de carnes também foi atingido: as vendas de carne bovina in natura recuaram 8% no período, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
O Banco Central do Brasil, no Relatório Trimestral de Inflação de junho de 2026, estimou que o tarifaço pode reduzir o PIB brasileiro em até 0,3 ponto percentual em 2026. Isso equivale a cerca de R$ 25 bilhões a menos na economia. A instituição também revisou para baixo a projeção de crescimento do PIB para 2026, de 2,1% para 1,8%, citando as incertezas comerciais.
Setores mais afetados:
- Siderurgia: 15% de queda nas exportações para os EUA (MDIC, mai/2026).
- Carnes: 8% de recuo nas vendas de carne bovina (Abiec, mai/2026).
- Alumínio: 10% de retração nos embarques (Associação Brasileira do Alumínio, mai/2026).
Eleição e o risco de desatenção
O ex-OMC teme que a eleição ofusque prejuízos decorrentes do tarifaço dos EUA porque o debate público tende a se concentrar em temas domésticos, como inflação e emprego, deixando de lado a política comercial. Azevêdo observou que, em 2018, durante a última eleição presidencial, o Brasil perdeu a janela de oportunidade para negociar uma isenção permanente das tarifas de aço, que à época eram de 10%. "A história se repete, mas com consequências maiores", disse ele (Reuters, jun/2026).
Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que, em anos eleitorais, as pautas de comércio exterior perdem espaço na mídia e no Congresso. Em 2022, por exemplo, apenas 12% das emendas parlamentares trataram de temas relacionados a exportações, contra 28% em 2020, ano sem eleição.
O que o Brasil pode fazer?
Azevêdo sugeriu três frentes de ação:
- Ação na OMC: O Brasil já protocolou consulta formal contra as tarifas em abril de 2025. O próximo passo é pedir a formação de um painel, que pode levar de 12 a 18 meses para concluir.
- Retaliação: O governo pode aplicar tarifas sobre produtos americanos, como milho, soja e medicamentos, no valor de até US$ 1,2 bilhão, conforme autorização da OMC de 2020.
- Diversificação de mercados: Acelerar acordos com a União Europeia (já em negociação) e ampliar exportações para a China, que responde por 30% das compras de soja brasileira.
O Ministério da Economia, em nota técnica de maio de 2026, afirmou que estuda a criação de um fundo de compensação para os setores mais afetados, com recursos do orçamento da União. A medida, no entanto, depende de aprovação no Congresso, o que pode ser difícil em ano eleitoral.
Perguntas Frequentes
Por que o ex-diretor da OMC está preocupado com a eleição?
Roberto Azevêdo teme que o foco no pleito desvie a atenção dos prejuízos reais do tarifaço, como a queda de 15% nas exportações de aço e a redução de 0,3 ponto no PIB, segundo o Banco Central. Ele defende que o governo priorize negociações e retaliações.
Quais setores brasileiros são mais afetados pelo tarifaço dos EUA?
Os setores de siderurgia, carnes e alumínio são os mais impactados. As exportações de aço caíram 15% (MDIC), as de carne bovina recuaram 8% (Abiec) e as de alumínio, 10% (ABAL), em maio de 2026.
O Brasil pode retaliar os EUA?
Sim. A OMC autorizou o Brasil a aplicar sanções de US$ 1,2 bilhão contra produtos americanos em 2020. O governo estuda retomar essa autorização, mas depende de articulação política.
Como o tarifaço afeta o PIB brasileiro?
O Banco Central estima que o tarifaço pode reduzir o PIB em 0,3 ponto percentual em 2026, revisando a projeção de crescimento de 2,1% para 1,8%.
O que o Brasil pode fazer para mitigar os danos?
As principais medidas são: acelerar o painel na OMC, aplicar retaliação comercial, diversificar mercados (UE e China) e criar um fundo de compensação para setores afetados.
O tarifaço dos EUA é legal na OMC?
Não. Azevêdo e outros especialistas consideram as tarifas unilaterais uma violação das regras da OMC. O Brasil já protocolou consulta formal e pode pedir um painel arbitral.
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