Exportações de café do Brasil caem 15,7% na safra 2025/26, diz Cecafé
As exportações de café do Brasil caíram 15,7% na safra 2025/26, totalizando 32,6 milhões de sacas de 60 kg, segundo a Cecafé. A receita também recuou 18,2%, para US$ 5,8 bilhões. O principal motivo foi a quebra de safra causada por seca e geadas nas principais regiões produtoras.
Por que as exportações de café do Brasil caíram?
A queda nas exportações de café do Brasil reflete uma combinação de fatores climáticos e de mercado. A seca prolongada e as geadas tardias nas regiões do Sul de Minas Gerais e do Cerrado Mineiro reduziram a produtividade dos cafezais. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimou uma safra 2025/26 12% menor que a anterior.
Além disso, os preços internacionais do café arábica caíram 22% no período, desestimulando os produtores a vender. "O mercado global está mais cauteloso, com estoques elevados em países compradores", afirmou o presidente da Cecafé, Marcos Matos, em nota oficial.
Impacto nos principais mercados compradores
Os Estados Unidos, maior comprador do café brasileiro, reduziram as importações em 18%, para 7,2 milhões de sacas. A Alemanha, segundo maior, caiu 14%, para 5,1 milhões de sacas. A Bélgica e a Itália também registraram quedas expressivas, de 11% e 9%, respectivamente.
A Ásia, que vinha crescendo como destino, também sentiu o aperto: o Japão comprou 23% menos, e a China, 17% menos. Apenas a Turquia aumentou as importações, em 8%, puxada por demanda interna por cafés especiais.
Consequências para o produtor brasileiro
Para o cafeicultor brasileiro, a queda nas exportações significa menor receita e margens mais apertadas. O preço médio da saca de 60 kg caiu de US$ 215 para US$ 178 no período. Muitos produtores adiaram vendas, apostando em recuperação de preços no segundo semestre.
A safra 2026/27, que começa a ser colhida em maio, pode trazer alívio. O clima mais regular e os investimentos em irrigação nas áreas afetadas devem aumentar a produtividade. A Cecafé projeta uma recuperação de 8% a 12% nas exportações para a próxima safra.
Café especial: um oásis na crise
Enquanto o café commodity sofre, o café especial brasileiro mantém-se resiliente. As exportações de cafés certificados (orgânicos, fair trade, gourmet) cresceram 6% na safra 2025/26, para 4,1 milhões de sacas. O preço médio desses lotes foi 35% superior ao do café comum.
A Europa e os Estados Unidos continuam sendo os principais destinos, mas a Ásia (Coreia do Sul, Taiwan, China) vem ganhando espaço. "O consumidor global está disposto a pagar mais por qualidade e sustentabilidade", disse o diretor da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA).
Perspectivas para o setor cafeeiro
Apesar da queda, o Brasil segue como maior exportador mundial de café, com 32% do mercado global. A safra 2026/27 deve trazer recuperação gradual, com estimativas de crescimento de 10% a 15% nas exportações, segundo a Cecafé.
O câmbio favorável (dólar alto) ajuda a compensar parcialmente a queda de preços internacionais. Para 2027, a expectativa é de que a demanda global por café volte a crescer, impulsionada por mercados emergentes como Índia e Indonésia.
O que esperar do mercado de café nos próximos meses?
Os próximos meses serão decisivos para o setor. A colheita da safra 2026/27 começa em maio, e os primeiros relatos de campo indicam floradas abundantes. Se o clima colaborar, o Brasil pode recuperar o volume exportado.
A Cecafé recomenda que os produtores diversifiquem mercados e invistam em qualidade. "Quem aposta em café especial e em contratos de longo prazo sofre menos com as oscilações", afirmou Marcos Matos.
Perguntas Frequentes
Qual foi a queda percentual nas exportações de café do Brasil?
Segundo a Cecafé, as exportações de café do Brasil caíram 15,7% na safra 2025/26, totalizando 32,6 milhões de sacas de 60 kg.
Quanto o Brasil arrecadou com exportações de café na safra 2025/26?
A receita com exportações de café foi de US$ 5,8 bilhões, uma queda de 18,2% em relação à safra anterior.
Quais foram os principais motivos da queda?
A queda foi causada por quebra de safra devido a seca e geadas, e pela redução de 22% nos preços internacionais do café arábica.
O café especial também foi afetado?
Não. As exportações de café especial cresceram 6% na safra 2025/26, para 4,1 milhões de sacas, com preço médio 35% superior ao do café comum.
Qual a previsão para a próxima safra?
A Cecafé projeta recuperação de 8% a 12% nas exportações na safra 2026/27, impulsionada por clima mais regular e investimentos em irrigação.