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Guerra no Oriente Médio: setor de energia não é único afetado por conflito

ResumoA guerra no Oriente Médio afeta múltiplos setores além da energia. Conflitos no Mar Vermelho elevam custos de frete e pressionam a inflação global. Rotas comerciais alternativas geram atrasos e aumentam despesas logísticas. A economia global sente impactos diretos nos preços de transporte e bens de consumo.

A guerra no Oriente Médio vai além do barril de petróleo. Nós descobrimos que os efeitos colaterais, nas rotas do Mar Vermelho, no preço do frete e até na inflação, já estão batendo na porta da economia global. Senta que lá vem história.

Babi Cordeiro
Guerra no Oriente Médio: setor de energia não é único afetado por conflito

Guerra no Oriente Médio: setor de energia não é único afetado por conflito — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

A guerra no Oriente Médio não para de se desdobrar. E, entre um ataque e outro, a gente esquece que o impacto econômico vai muito além do barril de petróleo. Se você achava que o assunto era só gasolina, senta que lá vem história: os efeitos colaterais já estão mexendo com cadeias de suprimento, rotas marítimas e até com o preço do seu café da manhã.

A guerra no Oriente Médio afeta não só o setor de energia, mas também as cadeias globais de suprimento, o comércio marítimo no Mar Vermelho e a inflação de alimentos. Segundo o Banco Mundial, os preços do frete subiram 50% desde outubro de 2023, enquanto rotas alternativas encarecem produtos.

O efeito dominó que ninguém esperava

Quando o conflito começou, em outubro de 2023, a primeira reação do mercado foi olhar para o petróleo. Faz sentido: a região concentra um terço da produção global. Mas, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o impacto imediato nos preços foi menor que o esperado, a alta foi contida por estoques estratégicos e pela desaceleração da China.

O que pegou todo mundo de surpresa foi o estrago nas rotas marítimas. Os ataques a navios no Mar Vermelho, iniciados pelos houthis em novembro de 2023, forçaram as principais companhias de navegação a desviar suas embarcações pelo Cabo da Boa Esperança, na África. Resultado: uma viagem que levava 20 dias passou a levar 35.

O Mar Vermelho virou zona de risco

O Mar Vermelho é a porta de entrada para o Canal de Suez, por onde passa cerca de 12% do comércio marítimo global. Com os ataques, o tráfego na região caiu 40% entre novembro de 2023 e fevereiro de 2024 (FMI, PortWatch).

Para nós, consumidores, isso significa uma coisa: frete mais caro. O custo de um contêiner da Ásia para a Europa quadruplicou no primeiro trimestre de 2024, segundo a Drewry Shipping Consultants. E quem paga a conta, no fim, é nosso bolso.

Inflação: o fantasma que volta

A guerra no Oriente Médio reacendeu o medo da inflação global. O Banco Central Europeu já alertou que o aumento dos custos de transporte pode pressionar os preços dos alimentos e bens industrializados ainda em 2024 inflação global 2024.

No Brasil, o impacto é indireto, mas real. O país importa fertilizantes do Oriente Médio e da Rússia, e o encarecimento do frete já foi sentido no bolso do agricultor. Segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), o preço dos fertilizantes subiu 15% entre outubro de 2023 e março de 2024.

Alimentos na mira

Se o fertilizante sobe, a comida acompanha. O Banco Mundial, no seu relatório de abril de 2024, destacou que os preços globais dos alimentos podem subir até 10% em 2024 por causa dos desvios de rotas e do aumento do frete.

Para se ter uma ideia, o café arábica, que depende de rotas marítimas estáveis, viu seu preço disparar 25% na bolsa de Nova York em fevereiro de 2024. Nada a ver com a xícara de café que você toma? Tudo a ver.

Cadeias de suprimento: o nó que aperta

A pandemia já tinha mostrado como cadeias de suprimento são frágeis. Agora, a guerra no Oriente Médio está apertando o nó de novo. A região é um hub de logística global, e qualquer instabilidade ali reverbera no mundo inteiro.

Empresas que dependem de componentes eletrônicos da Ásia para montar produtos na Europa estão sofrendo com atrasos de até três semanas. A montadora sueca Volvo, por exemplo, anunciou em janeiro de 2024 que pararia a produção por três dias por falta de peças, culpa do desvio de rotas.

O que esperar daqui para frente

Não dá para prever o fim do conflito. Mas, com base nos dados, a gente pode se preparar. O Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou sua previsão de crescimento global para 2024 de 3,1% para 2,9%, citando justamente os riscos geopolíticos.

Para o Brasil, a notícia não é de todo ruim. O país é exportador de alimentos e pode se beneficiar da alta dos preços agrícolas. Mas, por outro lado, a inflação importada, via fertilizantes e petróleo, pode pressionar a taxa Selic, que o Banco Central já mantém em 10,5% ao ano.

O que a guerra no Oriente Médio ensina sobre economia global

A guerra no Oriente Médio é um lembrete de que a economia global é um organismo interligado. Um ataque no Mar Vermelho mexe com o preço do café no Brasil. Um desvio de rota na África atrasa a entrega de peças na Suécia.

Nós, que acompanhamos de longe, podemos pelo menos entender o jogo. E, se tem uma lição, é esta: diversificar rotas e estoques não é luxo, é necessidade. como a guerra afeta o agronegócio brasileiro

Perguntas Frequentes

Como a guerra no Oriente Médio afeta o preço do petróleo?

O impacto imediato foi menor que o esperado, com alta contida por estoques estratégicos e desaceleração chinesa. Mas a volatilidade continua alta.

O que são os ataques no Mar Vermelho?

Desde novembro de 2023, os houthis do Iêmen atacam navios comerciais no Mar Vermelho, forçando desvios pelo Cabo da Boa Esperança.

A guerra no Oriente Médio pode causar inflação no Brasil?

Sim, indiretamente. O aumento do frete e dos fertilizantes pressiona os preços dos alimentos e pode influenciar a taxa de juros.

Como as cadeias de suprimento estão sendo afetadas?

Empresas relatam atrasos de até três semanas em entregas de componentes, com impacto na produção industrial europeia.

O que o FMI diz sobre o impacto econômico?

O FMI cortou a previsão de crescimento global para 2024 para 2,9%, citando riscos geopolíticos como o conflito no Oriente Médio.

Babi Cordeiro

Editoria Destaques

Babi Cordeiro cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.