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Governo dos EUA confirma isenção de tarifas para carnes e café do Brasil

ResumoO governo dos Estados Unidos confirmou a isenção de tarifas para carnes e café do Brasil. A medida beneficia exportadores brasileiros de cortes específicos de carne bovina e suína, além de café verde e torrado. A decisão reduz barreiras comerciais e pode impulsionar o agronegócio brasileiro no mercado norte-americano.

O governo dos EUA confirmou a isenção de tarifas para carnes e café do Brasil, medida que pode beneficiar exportadores. Entenda quais cortes estão na lista e como a decisão impacta o agronegócio brasileiro.

Tomás Wenzel
Governo dos EUA confirma isenção de tarifas para carnes e café do Brasil

Governo dos EUA confirma isenção de tarifas para carnes e café do Brasil — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Eu estava ali, tomando meu café - o mesmo que, segundo o governo dos EUA, agora entra no país deles sem tarifa - quando a notificação do celular apitou. "Governo dos EUA confirma isenção de tarifas para carnes e café do Brasil". Li três vezes. Tudo digital, menos a paciência para entender o que realmente mudou.

O governo dos EUA confirmou a isenção de tarifas para carnes bovina, suína e de frango, além de café, do Brasil. A medida, anunciada em meio a negociações comerciais, vale para produtos específicos e pode reduzir custos para exportadores brasileiros. A lista inclui cortes in natura e industrializados.

O que foi confirmado?

A confirmação veio após semanas de especulação. Segundo o USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA), a isenção abrange:

  • Carnes bovina, suína e de frango, em cortes específicos
  • Café verde, torrado e solúvel
  • Produtos com certificação de origem brasileira

A medida não é geral: cada produto precisa atender a critérios de rastreabilidade e sanidade.

Quais cortes estão na lista?

A lista divulgada pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) inclui cortes como picanha, alcatra e filé mignon para carne bovina; lombo e pernil para suína; e peito e coxa para frango. Para o café, valem grãos arábica e robusta, desde que processados em território brasileiro.

Por que agora?

A decisão ocorre em um momento de renegociação de acordos bilaterais. O governo Trump, que vinha adotando tarifas como ferramenta de pressão, recuou em setores onde a oferta doméstica é insuficiente. Os EUA importam cerca de 30% do café que consomem, e o Brasil responde por um terço disso.

O papel das negociações

Segundo o Itamaraty, a isenção foi resultado de meses de diálogo técnico. O Brasil cedeu em questões de propriedade intelectual para medicamentos, e os EUA abriram exceções agropecuárias.

Impacto para exportadores

Para quem vive do agro, a notícia é boa, mas com ressalvas. A isenção não elimina barreiras sanitárias: cada lote precisa de certificação do Ministério da Agricultura. E o câmbio continua sendo o maior risco - o dólar alto ajuda na hora de vender, mas encarece insumos.

Custos logísticos

O frete marítimo para a costa leste dos EUA, que já foi de US$ 2.500 por contêiner, hoje gira em torno de US$ 4.800. A isenção de tarifa reduz o custo final em cerca de 8% a 12%, dependendo do produto logística internacional para exportadores.

E o café?

O café brasileiro, que já responde por 35% das importações americanas, ganha vantagem competitiva. A isenção vale para café verde (não torrado) e torrado, mas não para blends com grãos de outros países. Produtores de Minas Gerais e São Paulo comemoram, mas alertam: a safra 2026 foi afetada por seca, e os estoques estão baixos.

Perguntas Frequentes

A isenção vale para todos os tipos de carne?

Não. Apenas cortes específicos de carne bovina, suína e de frango estão na lista. Miúdos e processados como hambúrguer não foram incluídos.

Preciso de algum certificado para exportar?

Sim. Cada lote precisa de certificação sanitária do Ministério da Agricultura e rastreabilidade aprovada pelo USDA.

A isenção é permanente?

A medida tem validade inicial de 12 meses, podendo ser renovada. O governo americano pode reavaliar a lista a qualquer momento.

O café solúvel está incluído?

Sim. Café solúvel brasileiro também entra na isenção, desde que produzido com grãos nacionais.

Como fica a concorrência com outros países?

Argentina e Uruguai, que também exportam carne para os EUA, não têm isenção similar. O Brasil ganha vantagem temporária.

A isenção reduz o preço para o consumidor americano?

Teoricamente, sim. Com tarifa zero, o custo de importação cai, o que pode baratear o produto final nas gôndolas.

Tomás Wenzel

Editoria Destaques

Tomás Wenzel cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.