Eu estava ali, tomando meu café - o mesmo que, segundo o governo dos EUA, agora entra no país deles sem tarifa - quando a notificação do celular apitou. "Governo dos EUA confirma isenção de tarifas para carnes e café do Brasil". Li três vezes. Tudo digital, menos a paciência para entender o que realmente mudou.
O governo dos EUA confirmou a isenção de tarifas para carnes bovina, suína e de frango, além de café, do Brasil. A medida, anunciada em meio a negociações comerciais, vale para produtos específicos e pode reduzir custos para exportadores brasileiros. A lista inclui cortes in natura e industrializados.
O que foi confirmado?
A confirmação veio após semanas de especulação. Segundo o USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA), a isenção abrange:
- Carnes bovina, suína e de frango, em cortes específicos
- Café verde, torrado e solúvel
- Produtos com certificação de origem brasileira
A medida não é geral: cada produto precisa atender a critérios de rastreabilidade e sanidade.
Quais cortes estão na lista?
A lista divulgada pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) inclui cortes como picanha, alcatra e filé mignon para carne bovina; lombo e pernil para suína; e peito e coxa para frango. Para o café, valem grãos arábica e robusta, desde que processados em território brasileiro.
Por que agora?
A decisão ocorre em um momento de renegociação de acordos bilaterais. O governo Trump, que vinha adotando tarifas como ferramenta de pressão, recuou em setores onde a oferta doméstica é insuficiente. Os EUA importam cerca de 30% do café que consomem, e o Brasil responde por um terço disso.
O papel das negociações
Segundo o Itamaraty, a isenção foi resultado de meses de diálogo técnico. O Brasil cedeu em questões de propriedade intelectual para medicamentos, e os EUA abriram exceções agropecuárias.
Impacto para exportadores
Para quem vive do agro, a notícia é boa, mas com ressalvas. A isenção não elimina barreiras sanitárias: cada lote precisa de certificação do Ministério da Agricultura. E o câmbio continua sendo o maior risco - o dólar alto ajuda na hora de vender, mas encarece insumos.
Custos logísticos
O frete marítimo para a costa leste dos EUA, que já foi de US$ 2.500 por contêiner, hoje gira em torno de US$ 4.800. A isenção de tarifa reduz o custo final em cerca de 8% a 12%, dependendo do produto logística internacional para exportadores.
E o café?
O café brasileiro, que já responde por 35% das importações americanas, ganha vantagem competitiva. A isenção vale para café verde (não torrado) e torrado, mas não para blends com grãos de outros países. Produtores de Minas Gerais e São Paulo comemoram, mas alertam: a safra 2026 foi afetada por seca, e os estoques estão baixos.
Perguntas Frequentes
A isenção vale para todos os tipos de carne?
Não. Apenas cortes específicos de carne bovina, suína e de frango estão na lista. Miúdos e processados como hambúrguer não foram incluídos.
Preciso de algum certificado para exportar?
Sim. Cada lote precisa de certificação sanitária do Ministério da Agricultura e rastreabilidade aprovada pelo USDA.
A isenção é permanente?
A medida tem validade inicial de 12 meses, podendo ser renovada. O governo americano pode reavaliar a lista a qualquer momento.
O café solúvel está incluído?
Sim. Café solúvel brasileiro também entra na isenção, desde que produzido com grãos nacionais.
Como fica a concorrência com outros países?
Argentina e Uruguai, que também exportam carne para os EUA, não têm isenção similar. O Brasil ganha vantagem temporária.
A isenção reduz o preço para o consumidor americano?
Teoricamente, sim. Com tarifa zero, o custo de importação cai, o que pode baratear o produto final nas gôndolas.