Todo mundo repete que o Brasil já passou por isso em 2018 e que o governo Lula, com o vice Alckmin na articulação, vai dar um jeito. Mas a história se repete como farsa: o novo tarifaço dos EUA sobre o aço brasileiro é mais duro, mais amplo e, segundo analistas, mais difícil de derrubar. Vamos separar o mito da verdade com dados oficiais.
O novo tarifaço dos EUA, anunciado por Donald Trump em fevereiro de 2025, impõe tarifas de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio, sem exceções ou cotas. Diferente de 2018, quando o Brasil negociou uma cota de 3,5 milhões de toneladas com os EUA, agora não há alívio automático. O governo Lula avalia medidas de retaliação e negociação direta com os EUA.
O que mudou de 2018 para 2025
Em 2018, o Brasil era o segundo maior fornecedor de aço para os EUA, atrás apenas do Canadá. Na época, o governo Temer negociou uma cota de exportação que evitou o pior. Agora, o cenário é outro.
Tarifa linear de 25% sem exceções
Segundo o governo Trump, a tarifa de 25% vale para todos os países, sem exceções. Isso significa que o Brasil não pode mais contar com a cota que tinha antes. A medida atinge não só o aço, mas também o alumínio e derivados.
Impacto maior na economia brasileira
O Brasil exportou cerca de 3,5 milhões de toneladas de aço para os EUA em 2024, gerando US$ 2,5 bilhões em receita. Com a tarifa de 25%, a competitividade do produto brasileiro cai drasticamente. O setor siderúrgico nacional, que já opera com margens apertadas, pode perder mercado.
As saídas possíveis para o governo Lula
O governo Lula, com o vice-presidente Geraldo Alckmin à frente do MDIC, já sinalizou que vai buscar uma negociação direta com os EUA. Mas há outras opções.
Negociação bilateral
A via preferencial é tentar um acordo bilateral, como em 2018. Mas o governo Trump está menos disposto a abrir exceções. O Brasil pode oferecer concessões em outras áreas, como compra de gás natural ou soja.
Retaliação comercial
O Brasil pode recorrer à OMC ou aplicar tarifas retaliatórias sobre produtos americanos. Em 2018, o Brasil retaliou com tarifas sobre a importação de produtos como arroz e medicamentos. Agora, a lista pode incluir tecnologia e automóveis.
Busca de novos mercados
O Brasil pode acelerar acordos com a União Europeia e a China para compensar a perda do mercado americano. O acordo Mercosul-UE, ainda em negociação, pode ser uma saída.
O mito do 'jeitinho brasileiro'
Muita gente acredita que o Brasil sempre dá um jeito em negociações comerciais. Mas a verdade é que o novo tarifaço é mais difícil de reverter porque:
- A tarifa é linear e sem exceções, diferente de 2018
- O governo Trump está menos aberto a negociações
- O Brasil tem menos peso político nos EUA hoje do que em 2018
A fonte disso é melhor checar: segundo o Itamaraty, as conversas iniciais com os EUA não indicam flexibilidade.
O que esperar nos próximos meses
O governo Lula deve anunciar medidas concretas até março de 2025. A expectativa é que haja uma combinação de negociação e retaliação. O setor siderúrgico nacional, que responde por 2% do PIB, pode ser o mais afetado.
Para quem quer entender melhor o impacto, vale ler sobre tarifaço Trump 2018 comparação e como a OMC funciona na prática.
Perguntas Frequentes
O novo tarifaço dos EUA é igual ao de 2018?
Não. Em 2018, o Brasil tinha uma cota de exportação. Agora, a tarifa de 25% é linear e sem exceções.
Quanto o Brasil exporta de aço para os EUA?
Cerca de 3,5 milhões de toneladas por ano, gerando US$ 2,5 bilhões em receita.
O que o governo Lula pode fazer?
Negociar diretamente com os EUA, retaliar com tarifas sobre produtos americanos ou buscar novos mercados.
O Brasil pode recorrer à OMC?
Sim, mas o processo é demorado e pode levar anos. O governo avalia essa via como última opção.
O tarifaço afeta outros setores?
Sim, além do aço e alumínio, a medida atinge derivados como peças automotivas e eletrodomésticos.