A indústria brasileira lamenta o tarifaço imposto pelos EUA sobre manufaturados, com a Fiesp culpando o governo federal por ruídos diplomáticos que teriam agravado a crise. A entidade defende que o Brasil precisa de uma estratégia de comércio exterior mais alinhada para evitar retaliações.
O tarifaço que pegou a indústria de surpresa
Na última semana, o governo americano anunciou tarifas adicionais sobre produtos manufaturados brasileiros, como aço, alumínio e máquinas. A medida, que já vinha sendo sinalizada desde o início do ano, pegou o setor industrial em um momento de recuperação frágil. A Fiesp, principal entidade paulista, reagiu rápido: em nota oficial, classificou a decisão como "injustificada" e apontou que os ruídos diplomáticos entre os dois países só pioraram o cenário.
"A falta de alinhamento estratégico com os EUA, combinada com declarações desencontradas do governo brasileiro, criou um ambiente propício para retaliações comerciais", afirmou a Fiesp em comunicado.
O que a Fiesp está dizendo
A Fiesp não poupou críticas. Segundo a entidade, o governo brasileiro falhou ao não construir pontes diplomáticas com a administração americana antes que as tarifas fossem impostas. "Os ruídos diplomáticos, como declarações públicas mal calculadas e divergências em fóruns internacionais, deram munição para que os EUA endurecessem a posição", explicou o presidente da Fiesp em entrevista coletiva.
A entidade defende que o Brasil precisa de uma política de comércio exterior mais pragmática, que priorize acordos bilaterais em vez de confrontos retóricos. "Não se trata de submissão, mas de inteligência diplomática", completou.
Os números por trás da crise
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que as exportações brasileiras de manufaturados para os EUA somaram US$ 32 bilhões em 2025, um crescimento de 8% em relação a 2024. Com as novas tarifas, a projeção é de uma queda de até 15% no volume embarcado em 2026.
O aço e o alumínio, que já enfrentavam tarifas de 25% desde 2018, agora correm risco de novas alíquotas. "O setor siderúrgico, que vinha se recuperando, pode perder competitividade no mercado americano", alerta o Instituto Aço Brasil.
Como outros setores reagem
A reação não é só da Fiesp. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também se manifestou, pedindo que o governo brasileiro "atue com rapidez e pragmatismo" para reverter as tarifas. Já a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) calcula que o impacto pode chegar a US$ 2 bilhões em vendas perdidas neste ano.
Enquanto isso, o governo brasileiro tenta minimizar a crise. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que busca "diálogo técnico" com os EUA para revisar as tarifas, mas sem dar prazos.
O que esperar dos próximos meses
Analistas ouvidos pela Reuters apontam que a crise pode se arrastar até as eleições americanas de novembro, quando o tema comercial deve ganhar ainda mais relevância. A Fiesp, por sua vez, já sinalizou que vai intensificar o lobby em Washington, com reuniões agendadas com parlamentares e representantes comerciais.
Para o Brasil, o caminho é estreito: ou o governo ajusta o discurso e busca uma saída negociada, ou a indústria terá que aprender a viver com tarifas mais altas. A Fiesp, pelo menos, já deixou claro que não vai ficar calada.
Perguntas Frequentes
Por que a Fiesp está culpando o governo?
A Fiesp entende que ruídos diplomáticos, como declarações públicas mal calculadas e divergências em fóruns internacionais, criaram um ambiente propício para que os EUA impusessem tarifas mais duras sobre manufaturados brasileiros.
Quais produtos foram afetados pelo tarifaço?
As novas tarifas atingem principalmente aço, alumínio e máquinas e equipamentos, setores que já enfrentavam barreiras comerciais desde 2018.
Qual o impacto econômico estimado?
O MDIC projeta queda de até 15% nas exportações de manufaturados para os EUA em 2026, enquanto a Abimaq calcula perdas de US$ 2 bilhões no setor de máquinas.
O governo já tomou alguma medida?
O Itamaraty afirmou que busca diálogo técnico com os EUA, mas ainda não há prazo para reuniões ou propostas concretas de revisão das tarifas.
Como a indústria pode se proteger?
A Fiesp intensificará o lobby em Washington e defende que o Brasil adote uma política de comércio exterior mais pragmática, com foco em acordos bilaterais.