Irã "não leva as negociações a sério", diz Rubio; entenda o que está por trás da crise
O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o Irã "não está levando as negociações a sério" durante seu discurso de abertura na reunião de ministros das Relações Exteriores da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático), realizada nesta terça-feira (21), em Manila, nas Filipinas. A declaração ocorre em meio à 11ª noite consecutiva de ataques americanos contra alvos militares iranianos.
"Os EUA estão sempre comprometidos com a diplomacia", disse Rubio. "Estamos abertos ao diálogo e sempre dispostos a nos engajar, negociar e resolver divergências", acrescentou.
Rubio declarou que "o problema que enfrentamos agora (com o Irã) é que eles não estão levando as negociações a sério. Se eles estiverem falando sério, nós também estaremos. Caso contrário, faremos o que for necessário para proteger nossos interesses e também os interesses de nossos aliados".
O que está em jogo no Estreito de Ormuz
Rubio alertou para a criação de um "precedente perigoso" ao permitir que o Irã controle o Estreito de Ormuz, afirmando que eles "não possuem, sob qualquer mecanismo jurídico existente", o direito de controlar o tráfego nessa via navegável internacional.
O "princípio fundamental da liberdade de navegação" está em jogo, disse Rubio. "Se isso for ameaçado, acredito que a economia global estará ameaçada, assim como as regras que sustentaram 150 anos de comércio internacional", concluiu.
O Irã atacou mais de 30 embarcações comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz nos últimos três meses, segundo comunicado do CENTCOM. Desde o início de maio, o comando americano "ajudou a facilitar o trânsito de aproximadamente 900 navios comerciais e 450 milhões de barris de petróleo bruto".
11ª noite consecutiva de ataques
As Forças Armadas dos Estados Unidos iniciaram, na noite desta terça-feira (21), a 11ª noite consecutiva de ataques contra o Irã, informou o CENTCOM (Comando Central dos EUA).
"As forças do CENTCOM começaram a atacar alvos militares no Irã às 19h (horário da Costa Leste dos EUA) de hoje, pela 11ª noite consecutiva", afirmou o comando em uma publicação na rede social X.
Os militares dos EUA disseram que "os ataques têm como objetivo continuar degradando as capacidades militares iranianas" utilizadas para atacar embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz.
Pouco depois, as forças americanas informaram que a operação foi concluída com sucesso. "Recursos do CENTCOM atingiram centros de operações militares iranianos, capacidades marítimas, hangares de aeronaves, instalações de armazenamento de drones e infraestrutura logística militar para reduzir ainda mais a capacidade do Irã de ameaçar a navegação comercial no Estreito de Ormuz", afirmou o comando.
Alvos e reações
Os EUA não detalharam quais regiões do Irã foram alvo de ataques, mas a imprensa iraniana informou sobre bombardeios no sudoeste do país. O vice-governador da província iraniana de Khuzistão, no sudoeste do país, afirmou que áreas próximas às cidades de Behbahan e Omidiyeh foram atacadas, segundo a emissora estatal IRIB.
Explosões também foram ouvidas na cidade costeira de Chabahar, no sudeste do Irã, de acordo com a IRIB. A emissora também informou que os arredores de Tabriz, no noroeste do país, foram alvo de ataques.
Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país pode atacar a área da Montanha Pickaxe, uma instalação subterrânea fortificada que estaria ligada ao programa nuclear do Irã, "muito em breve".
Em resposta, o Irã declarou que qualquer ataque americano contra suas instalações nucleares será tratado como uma ampliação da guerra na região.
Também nesta terça-feira, Kuwait, Bahrein e Jordânia afirmaram ter interceptado ataques aéreos que teriam sido disparados pelo Irã.
Como isso afeta você?
A crise no Estreito de Ormuz tem impacto direto na economia global. Cerca de 20% do petróleo mundial passa por essa via. Com os ataques a navios comerciais e a escalada militar, o preço dos combustíveis pode subir, afetando o bolso de quem abastece o carro ou depende de transporte.
Além disso, a instabilidade na região pode influenciar o mercado financeiro e o custo de vida no Brasil. Para quem acompanha geopolítica, o recado de Rubio é claro: os EUA não abrem mão da liberdade de navegação e estão dispostos a usar força para garantir isso.
Perguntas Frequentes
O que Rubio disse sobre o Irã?
Rubio afirmou que o Irã "não está levando as negociações a sério" durante discurso na reunião da ASEAN em Manila.
Quantas noites de ataques os EUA já realizaram?
Foram 11 noites consecutivas de ataques contra alvos militares no Irã, segundo o CENTCOM.
O que o Irã atacou no Estreito de Ormuz?
O Irã atacou mais de 30 embarcações comerciais nos últimos três meses, segundo comunicado do CENTCOM.
Quais países interceptaram ataques do Irã?
Kuwait, Bahrein e Jordânia afirmaram ter interceptado ataques aéreos que teriam sido disparados pelo Irã.
O que Trump disse sobre o programa nuclear iraniano?
Trump afirmou que os EUA podem atacar a Montanha Pickaxe, instalação subterrânea ligada ao programa nuclear iraniano, "muito em breve".