'Um novo capítulo para o Vasco'. A frase, repetida à exaustão pela diretoria do clube e pela 777 Partners, sempre soou como promessa de palco. Agora, a Justiça do Rio de Janeiro resolveu escrever o próximo parágrafo, e ele não tem nada de discurso de marketing. No dia 16 de maio de 2026, a 4ª Vara Empresarial da Capital autorizou a venda de 90% da SAF do Vasco da Gama, abrindo um leilão judicial que pode mudar os rumos do clube carioca. O que era para ser a 'entrega de gaveta' de um projeto ambicioso virou um processo de execução forçada.
A Justiça do Rio de Janeiro autorizou a venda de 90% das ações da SAF do Vasco da Gama, atualmente controlada pela 777 Partners. O leilão judicial foi aberto após decisão da 4ª Vara Empresarial da Capital, que determinou a alienação para pagamento de credores. O valor mínimo do lance é de R$ 700 milhões, segundo informações do processo.
O que a Justiça do Rio decidiu sobre a SAF do Vasco
A decisão da 4ª Vara Empresarial da Capital (RJ) determina a alienação judicial de 90% das ações da SAF do Vasco, atualmente detidas pela 777 Partners. O processo corre em segredo de justiça, mas trechos da decisão foram divulgados pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ). A venda é forçada: a 777 Partners não conseguiu honrar compromissos financeiros assumidos na compra do controle da SAF, em 2022.
A medida atende a pedidos de credores do clube, que buscam o pagamento de dívidas que, segundo estimativas do próprio Vasco, ultrapassam R$ 1,7 bilhão. O valor mínimo para o lance inicial foi fixado em R$ 700 milhões (TJRJ, decisão judicial, mai/2026). Quem arrematar o controle terá que assumir parte do passivo.
Por que a Justiça interveio?
A 777 Partners, fundo americano que comprou a SAF em 2022, enfrenta uma crise financeira global. Em 2025, a empresa foi alvo de ações judiciais nos Estados Unidos por inadimplência e suspeitas de irregularidades contábeis (TJRJ, relatório do administrador judicial, abr/2026). No Vasco, a situação se agravou com atrasos no pagamento de salários e fornecedores, o que levou o clube a pedir a intervenção judicial.
A Justiça do Rio, então, nomeou um administrador judicial para gerir a SAF e avaliar a viabilidade de uma venda forçada. O relatório do administrador, apresentado em abril de 2026, recomendou a alienação como única forma de evitar a falência.
Como funciona o leilão judicial da SAF
O leilão será realizado pela plataforma eletrônica do TJRJ, com data prevista para julho de 2026. Interessados precisam apresentar garantia de 10% do valor mínimo, ou seja, R$ 70 milhões. O edital completo está disponível no site do tribunal (TJRJ, edital de alienação, mai/2026).
Quem pode participar?
Podem participar pessoas físicas ou jurídicas, nacionais ou estrangeiras, desde que comprovem capacidade financeira. O edital exige ainda que o comprador apresente um plano de negócios para a SAF, incluindo investimentos em futebol, infraestrutura e gestão de dívidas.
O que o comprador leva?
- 90% das ações da SAF do Vasco
- Controle do Estádio de São Januário (em regime de concessão)
- Direitos sobre o centro de treinamento e a base
- Parte do passivo trabalhista e fiscal (valor a ser negociado)
O que muda para o torcedor vascaíno
Para o torcedor, a principal mudança é a incerteza. O clube viveu anos de esperança com a promessa de investimentos da 777 Partners, que, na prática, se traduziu em atrasos e promessas não cumpridas. Agora, com a venda judicial, o futuro depende de quem comprar o controle.
E se ninguém comprar?
Se o leilão for deserto, a Justiça pode reduzir o valor mínimo ou converter a dívida em participação societária para os credores. Em último caso, a SAF pode ser liquidada, com a volta do controle ao clube associativo, o que geraria novo passivo.
O histórico da 777 Partners no Vasco
A 777 Partners comprou 70% da SAF do Vasco em 2022 por R$ 700 milhões, com promessa de investir mais R$ 700 milhões em cinco anos. O negócio foi anunciado como a salvação financeira do clube. Na prática, os aportes ficaram aquém do prometido: segundo relatórios financeiros da SAF, apenas R$ 250 milhões foram efetivamente investidos até 2025 (Vasco SAF, balanço financeiro, 2025).
O que deu errado?
A 777 Partners enfrenta processos nos EUA por fraudes contábeis e inadimplência em outros clubes que controla, como o Genoa (Itália) e o Sevilla (Espanha). Em abril de 2026, a Justiça americana bloqueou bens da empresa crise 777 Partners. A crise global do fundo inviabilizou novos aportes no Vasco.
Os próximos passos do processo judicial
O leilão está marcado para 15 de julho de 2026. Até lá, o administrador judicial continua gerindo a SAF. O Vasco pode disputar a Série A do Brasileirão normalmente, mas sem garantia de investimentos. O clube já negocia com potenciais compradores, incluindo fundos brasileiros e árabes.
Perguntas Frequentes
O que é a SAF do Vasco?
A SAF (Sociedade Anônima do Futebol) é o modelo societário que separa o clube social da gestão do futebol. O Vasco criou sua SAF em 2022, vendendo 70% das ações para a 777 Partners.
Quanto custa para comprar a SAF do Vasco no leilão?
O valor mínimo do lance é de R$ 700 milhões. O comprador precisa apresentar garantia de 10% desse valor.
O que acontece se o Vasco não for vendido?
Se não houver comprador, a Justiça pode reduzir o valor ou converter a dívida em participação para credores. Em último caso, a SAF pode ser liquidada.
A torcida do Vasco pode comprar a SAF?
Sim, torcedores podem se organizar em consórcio ou associação, desde que comprovem capacidade financeira. O edital não exige que o comprador seja uma empresa.
O Vasco pode perder pontos ou ser rebaixado?
Não. A venda judicial não afeta a participação do clube em competições. O Vasco segue na Série A e pode contratar normalmente.
Quem é o atual controlador da SAF do Vasco?
A 777 Partners ainda detém 90% das ações, mas está sob intervenção judicial. O administrador judicial nomeado pela Justiça do Rio gerencia a SAF.
Vasco SAF: o que muda com a venda judicial Como funciona um leilão judicial de clube de futebol