Durante ato em Curitiba neste sábado (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu punição para quem cometeu crime, do filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, a qualquer ministro do STF. A fala foi feita no evento "Brasil Pronto Pra Mais".
"Ninguém pode ser ministro da suprema corte para ficar rico, aquilo é um sacerdócio. As pessoas têm que se dedicar. Porque é a Corte Suprema, quando ela toma uma decisão, ninguém pode mudar", afirmou. Segundo o presidente, quem ocupa o cargo precisa ter "um padrão de comportamento acima da média da sociedade", e por isso "nós vamos investigar".
O que isso muda na prática
A declaração veio no mesmo fim de semana em que o presidente do STF, Edson Fachin, pediu a queda total de sigilo de peças relacionadas ao Caso Master, na sexta-feira (11). O ministro relator André Mendonça cumpriu a determinação na noite do mesmo dia.
Conforme apurou a CNN Brasil, Lula conversou por telefone três vezes com Fachin. Em todas elas, cobrou a retirada do sigilo das investigações ligadas ao Master. Ou seja: o discurso público e a pressão relatada nos bastidores caminharam na mesma direção.
O outro alvo do discurso
Lula também comentou a prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Disse que, a partir dela, começariam a aparecer "as orgias que ele fazia". Mencionou "as mulheres da Suíça, da Suécia para fazer sacanagem com muita gente da política" e concluiu: "quem fez putaria vai ser desmascarado".
No ato, o presidente estava ao lado do candidato ao Palácio Iguaçu, Requião Filho (PDT), e das candidatas ao Senado Federal Gleisi Hoffmann (PT) e Dr. Rosinha (PT).
Por que a fala importa para quem acompanha o noticiário
A frase sobre ministros que não podem "ficar rico" chega num momento em que o sigilo de investigações é tema sensível. Para o leitor comum, o efeito concreto é a expectativa de mais documentos públicos sobre o Caso Master nas próximas semanas.
Checar a fonte é o caminho: o que existe de concreto até aqui é o pedido de Fachin, o cumprimento por Mendonça e o relato da CNN Brasil sobre as três ligações. O resto é desdobramento, e desdobramento se acompanha com o documento na mão, não com o boato na timeline.