Lula se reúne com embaixador brasileiro na Argentina pela segunda vez: o que mudou?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se encontrou com o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Júlio Bitelli, nesta quarta-feira, pela segunda vez desde o início da crise diplomática com a Argentina. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participou da conversa que tratou da crise do país com o governo Javier Milei.
Durante a reunião, Bitelli relatou a evolução da situação na Argentina. Ele explicou que internamente a crise diplomática "pegou muito mal para o Milei". O embaixador se referia a reação de instituições e políticos argentinos que não gostaram da atitude do presidente argentino.
O estopim da crise: declarações de Milei em território brasileiro
O embate surgiu a partir de declarações de Milei na convenção do PL que lançou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto. O presidente argentino chamou Lula de "presidiário" e classificou Alexandre de Moraes como "lixo careca". De acordo com fontes, causou revolta ao Itamaraty e ao Palácio do Planalto o fato de as declarações terem acontecido em território brasileiro.
Sinais de conciliação: o que mudou?
Por enquanto, Bitelli segue no Brasil e não há data para retorno a seu posto em Buenos Aires. Mas há sinais de que o caminho para conciliação está aberto. No Itamaraty, existe o entendimento de que o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, trabalha para amenizar a crise. Nesta quarta-feira, o diplomata afirmou que o governo de Milei não pretende romper relações com o Brasil.
"Quanto ao fato de o chanceler brasileiro ter convocado o embaixador argentino, isso é algo que nós não fazemos; não elevamos questões ao nível institucional. Mantemos as disputas eleitorais, bem como as diferenças políticas e ideológicas, dentro desse âmbito específico", adicionou o ministro.
A reação do Itamaraty e o monitoramento
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se reuniu com o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, nessa quarta-feira (29). Na ocasião, o chanceler decidiu seguir monitorando as relações bilaterais e manter o diplomata no Brasil, segundo apurou a CNN. O retorno do diplomata ao Brasil dependerá do arrefecimento das tensões entre os países, segundo relatos. Auxiliares do presidente Lula, sob reserva, descartam uma volta imediata e falam que o embaixador deve ficar no país por "semanas".
O papel de Diego Santilli na crise
Diego Santilli, chefe de gabinete de Javier Milei, justificou as falas do presidente da Argentina e tentou minimizar a crise entre os países. "Não exagerem", disse o representante do governo Milei sobre a convocação dos embaixadores.
O que esperar das relações Brasil-Argentina?
Houve na reunião, contudo, uma avaliação de que declarações do ministro das Relações Exteriores argentino, Pablo Quirno, levaram tom mais conciliador à relação. O chanceler do país vizinho afirmou nessa quarta-feira (29) que "não há chance" de rompimento de relações entre os países por parte da Argentina.
Na noite de domingo (26), Mauro Vieira já havia conversado com o embaixador da Argentina, Daniel Raimondi, a quem disse serem inaceitáveis e sem precedentes as críticas do presidente Javier Milei.
Perguntas Frequentes
Por que Lula se reuniu com o embaixador pela segunda vez?
Para tratar da crise diplomática com a Argentina, após declarações de Javier Milei em território brasileiro.
O que Bitelli relatou na reunião?
O embaixador relatou que a crise "pegou muito mal para o Milei" internamente, com reação negativa de instituições e políticos argentinos.
Há risco de rompimento entre Brasil e Argentina?
Não, segundo o chanceler argentino Pablo Quirno, que afirmou não haver chance de rompimento.
Quando Bitelli volta a Buenos Aires?
Não há data definida. Auxiliares de Lula falam em "semanas", dependendo do arrefecimento das tensões.
O que Milei disse para causar a crise?
Milei chamou Lula de "presidiário" e se referiu ao ministro Alexandre de Moraes como "lixo careca" durante convenção do PL.