O Facebook removeu, nesta segunda-feira (31), dezenas de anúncios depois que a Índia sinalizou um padrão na rede social e no Instagram que usava conteúdo sexualmente explícito para induzir os usuários a baixarem malware capaz de roubar credenciais bancárias e esvaziar contas.
A Índia registrou perdas de quase US$ 2,4 bilhões em fraudes cibernéticas em 2025, segundo dados do governo, à medida que os golpistas visam cada vez mais o boom dos pagamentos digitais no país. O governo afirmou que os anúncios, operados sob os nomes "Night Play" e "Kyss", direcionavam os usuários para sites de phishing, golpe digital em que criminosos se passam por empresas confiáveis para roubar senhas e dados pessoais.
Foi observado que há um aumento nas fraudes financeiras envolvendo o que descreveu como "aplicativos Android maliciosos disfarçados de aplicativos pornográficos". A agência de notícias Reuters constatou que pelo menos 39 desses anúncios ainda estavam ativos depois do alerta do governo, muitos utilizando miniaturas de vídeos sexualmente explícitos para atrair cliques.
A Meta derrubou todos os anúncios pouco tempo depois que a Reuters alertou a empresa buscando comentários sobre o aviso. A Meta não respondeu aos questionamentos da Reuters. As políticas da gigante tecnológica dos Estados Unidos estabelecem que os anúncios "não devem conter nudez adulta nem atividade sexual" e proíbem anúncios de "produtos, serviços, esquemas ou ofertas que utilizem práticas identificadas como enganosas ou que induzam ao erro", incluindo aqueles destinados a roubar dinheiro dos usuários.
Esta é a segunda vez que a Índia manifesta preocupação com as fraudes financeiras em uma grande plataforma de tecnologia. Anteriormente, a Reuters divulgou que o governo determinou que o Google desativasse centenas de contas em sua plataforma Firebase depois de constatar que criminosos estavam usando o serviço para se passar por grandes bancos. A Meta havia projetado internamente que os anúncios de golpes e de produtos proibidos gerariam cerca de 10% de sua receita em 2024, ou aproximadamente US$ 16 bilhões, mesmo que a empresa afirme estar reprimindo esses anúncios, informou a Reuters no ano passado.
Um dos anúncios, que ainda estava ativo, levava a um site que promovia um aplicativo de vídeo no qual prometia centenas de vídeos pornográficos e conteúdo 24 horas por dia. Para acessá-los, os usuários precisavam baixar um arquivo chamado "Movexa.apk" fora de uma loja oficial de aplicativos. O alerta da Índia destacou que os aplicativos poderiam acessar secretamente informações armazenadas nos celulares dos usuários, capturar senhas de uso únicos e PINs bancários, além de transferir dinheiro de contas sem o conhecimento do titular.