A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que as mudanças climáticas estão ampliando os riscos para a agricultura familiar no Brasil. A declaração foi dada durante audiência pública na Câmara, onde apresentou dados oficiais sobre impacto no campo.
Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e enchentes, cresceram 30% nos últimos 10 anos. Para a agricultura familiar, que responde por 70% dos alimentos consumidos no país (IBGE, Censo Agropecuário 2017), o cenário é preocupante.
"A agricultura familiar é a mais vulnerável porque depende diretamente do clima e tem menos acesso a tecnologias de adaptação", disse a ministra. Ela citou perdas de safra de até 40% em regiões do Semiárido nos últimos cinco anos, segundo dados do Ministério da Agricultura.
O diagnóstico oficial
O governo federal, por meio do Ministério do Meio Ambiente, divulgou um relatório preliminar que aponta três riscos principais para a agricultura familiar: aumento da frequência de secas, chuvas intensas e temperaturas acima da média histórica.
Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) mostram que a temperatura média no Brasil subiu 0,8°C nos últimos 30 anos. Para a agricultura familiar, isso significa estresse hídrico e perda de produtividade em culturas como feijão, mandioca e milho.
O relatório também destaca que 60% dos municípios do Nordeste já registraram redução na produção de alimentos básicos nos últimos 10 anos (Ministério da Agricultura, 2026).
Impacto direto na renda das famílias
A agricultura familiar emprega cerca de 10 milhões de pessoas no Brasil (IBGE, PNAD Contínua, 2025). Com as mudanças climáticas, a renda dessas famílias caiu em média 25% nas áreas mais afetadas, segundo estudo da Embrapa.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, anunciou que o governo vai ampliar o crédito rural para agricultores familiares afetados por eventos climáticos. "Vamos destinar R$ 1,5 bilhão em linhas emergenciais", afirmou. As taxas de juros serão subsidiadas pelo Tesouro Nacional.
Medidas de adaptação
O governo apresentou um pacote de medidas para mitigar os riscos:
- Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) atualizado para incluir cenários de mudanças climáticas (Ministério da Agricultura).
- Programa de Seguro Rural com cobertura ampliada para eventos extremos, com subsídio de até 50% do prêmio (Banco Central).
- Assistência técnica para adoção de técnicas de plantio direto e irrigação de baixo custo, voltada para 200 mil famílias (Ministério do Desenvolvimento Agrário).
Segundo a Embrapa, a adoção de práticas de agricultura regenerativa pode reduzir em 30% as perdas em cenários de seca.
O que dizem os especialistas
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) apontam que, sem medidas de adaptação, a produção de alimentos da agricultura familiar pode cair 20% até 2030. O estudo foi publicado na revista Nature Climate Change.
A ministra reforçou que o governo está em diálogo com o Congresso para aprovar o Plano Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas, que prevê investimentos de R$ 10 bilhões em 10 anos.
Perguntas Frequentes
Como as mudanças climáticas afetam a agricultura familiar?
Eventos extremos como secas e enchentes danificam plantações e reduzem a produtividade. Dados do INPE mostram aumento de 30% nos eventos extremos nos últimos 10 anos.
O que o governo está fazendo para ajudar?
O governo anunciou R$ 1,5 bilhão em crédito emergencial, seguro rural subsidiado e assistência técnica para 200 mil famílias.
Quais culturas são mais afetadas?
Feijão, mandioca e milho são as culturas mais vulneráveis, com perdas de até 40% no Semiárido.
Como os agricultores podem se adaptar?
Técnicas como plantio direto, irrigação de baixo custo e agricultura regenerativa podem reduzir perdas em 30%.
O seguro rural cobre eventos climáticos?
Sim, o Programa de Seguro Rural foi ampliado para cobrir eventos extremos, com subsídio de até 50% do prêmio.
agricultura familiar e crédito rural mudanças climáticas no Brasil