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WiFi Livre SP: pagamentos sem nota fiscal sob investigação

ResumoO WiFi Livre SP é alvo de investigação da Polícia Civil de São Paulo por suspeita de que parte dos pagamentos do programa tenha ocorrido via faturas comerciais, e não por notas fiscais regulares. O contrato firmado com o Instituto Conhecer Brasil soma cerca de R$ 108 milhões.

Investigação da Polícia Civil de São Paulo aponta que parte dos pagamentos do WiFi Livre SP teria ocorrido via faturas comerciais, não por notas fiscais regulares. Contrato com o Instituto Conhecer Brasil é de cerca de R$ 108 milhões.

Tomás Wenzel
WiFi Livre SP: pagamentos sem nota fiscal sob investigação

WiFi Livre SP: pagamentos sem nota fiscal sob investigação — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Eu tenho uma teoria: toda investigação de contrato público começa com alguém abrindo uma pasta que ninguém queria abrir. Foi mais ou menos assim que a Polícia Civil de São Paulo chegou ao WiFi Livre SP, projeto da Prefeitura que promete internet gratuita em várias regiões da capital.

A investigação apontou que parte dos pagamentos do WiFi Livre SP teria sido operacionalizada mediante faturas comerciais, e não necessariamente via emissão regular de notas fiscais de prestação de serviço. O contrato firmado entre a Prefeitura e o Instituto Conhecer Brasil é da ordem de R$ 108 milhões, e a prestação dos serviços é alvo de apuração por suspeitas de irregularidades.

No documento obtido pela CNN Brasil, a Polícia Civil destaca documentos emitidos pela Make One Tecnologia Digital, empresa que prestou serviços ao instituto referente à locação de equipamentos eletrônicos. "Em especial, há documentos emitidos pela empresa Make One Tecnologia Digital Ltda, identificados expressamente como 'FATURA', vinculados ao programa Wifi-Livre, com valores milionários associados ao fornecimento/locação de equipamentos", diz o trecho citado.

A Polícia Civil também aponta a existência de notas fiscais canceladas para prestar contas. E acrescenta que a análise técnica da própria Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia teria identificado inconformidades relevantes na prestação de contas. Para os investigadores, há indícios de superfaturamento aparente, pagamento antecipado sem correspondente execução e desequilíbrio econômico-financeiro do ajuste.

O Instituto Conhecer Brasil é gerido por Karina Ferreira da Gama, mesma dona da Go Up Entertainment, produtora à frente do filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A CNN Brasil procurou a Prefeitura de São Paulo e aguarda posicionamento.

A defesa de Karina Gama enviou nota de esclarecimento. No texto, afirma receber "com absoluto respeito" e considerar positiva a decisão do Ministro Flávio Dino de levantar o sigilo sobre os elementos da investigação. Diz ainda que "quem já apresentou voluntariamente mais de 20 mil páginas de documentação não teme transparência" e que a Sra. Karina Gama sustenta, desde o primeiro momento, que não praticou qualquer ilícito. A nota encerra defendendo que "investigação não é acusação, muito menos, condenação".

É o tipo de caso em que a papelada fala mais alto que qualquer versão. E, como sempre, o robô da transparência insiste que não entendeu, mas continua processando.

Tomás Wenzel

Editoria Destaques

Tomás Wenzel cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.

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