O perrengue que virou tragédia
Eu já passei por aquela sensação de sair de um lugar e sentir um frio na espinha, achando que era só paranoia. Mas para Valdirene Vaz Clemente, de 42 anos, o medo era real. Na noite de segunda-feira (20), ela foi morta a tiros pelo ex-marido ao sair de uma igreja em Bom Jesus de Goiás, no sul do estado, segundo a Polícia Civil.
Uma professora foi morta a tiros pelo ex-marido ao sair de igreja em Goiás., Foto: Reprodução/Instagram de Daniela Bessa
O caso acende um alerta que vai além da notícia: se uma medida protetiva não foi suficiente para evitar o desfecho, o que isso diz sobre a segurança de quem denuncia? Vamos aos fatos.
O crime: três tiros e uma emboscada
Wanderlei Joaquim de Souza, de 45 anos, ex-marido de Valdirene, trabalhou em uma usina na região. Segundo o delegado responsável pelo caso, Nicolas Alvarenga de Oliveira Martins, o crime ocorreu próximo a um galpão onde era realizado um culto de um grupo da Igreja Católica.
Joaquim teria ficado escondido e surpreendeu Valdirene quando ela retornava para casa a pé. Ele efetuou pelo menos três disparos, que atingiram a vítima nas costas e na nuca. "A vítima foi atingida nas costas e na nuca, o que reforça a tese de que foi atacada sem chance de defesa. Testemunhas relataram ter ouvido ao menos três tiros. Inicialmente, pessoas que estavam no local confundiram o barulho com o som de uma motocicleta, mas logo perceberam a gravidade da situação", disse o delegado.
Após o crime, Wanderlei atirou contra a própria cabeça e morreu, de acordo com a polícia.
O histórico de violência que não parou
Valdirene foi casada por cerca de 20 anos com Wanderlei, com quem tinha filhos. Há cerca de um mês, ela o denunciou por ameaça e agressão, além de solicitar uma medida protetiva contra o ex-companheiro. O delegado informou que Valdirene já havia relatado um histórico de ameaças. Por isso, o suspeito já respondia a uma ação penal pelos crimes de ameaça e lesão corporal praticados contra a ex-companheira.
É como ter um alarme que dispara, mas ninguém chega a tempo. A medida protetiva estava lá, o processo corria, mas a proteção efetiva não acompanhou o papel.
O socorro que chegou tarde
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado e encaminhou ambos ao hospital municipal. No entanto, as mortes da professora e do suspeito foram confirmadas logo após darem entrada na unidade de saúde. O caso é investigado como feminicídio seguido de suicídio, segundo a Polícia Civil.
O que isso significa para você
Se você está lendo e pensa "isso não me afeta", pense de novo. A cada 6 horas, uma mulher é vítima de feminicídio no Brasil. O caso de Valdirene não é isolado: ela fez a denúncia, pediu a medida protetiva, e ainda assim foi morta. A falha não está na vítima, mas no sistema que não consegue garantir que a proteção chegue antes do agressor.
Para quem vive uma situação parecida, o recado é: denuncie, sim, mas não confie apenas no papel. Busque redes de apoio, avise vizinhos, mude rotas. O perigo muitas vezes está onde a gente menos espera, como na saída de uma igreja, em uma noite que deveria ser de paz.
Perguntas Frequentes
O que é uma medida protetiva?
É uma ordem judicial que determina que o agressor mantenha distância da vítima, sob pena de prisão. No caso de Valdirene, ela havia solicitado a medida há cerca de um mês.
O ex-marido já respondia por algum crime antes do feminicídio?
Sim, segundo o delegado, Wanderlei já respondia a uma ação penal pelos crimes de ameaça e lesão corporal praticados contra a ex-companheira.
Onde ocorreu o crime?
Em Bom Jesus de Goiás, no sul do estado, próximo a um galpão onde era realizado um culto de um grupo da Igreja Católica.
Quantos tiros foram disparados?
Testemunhas relataram ter ouvido ao menos três tiros, que atingiram a vítima nas costas e na nuca.
O que aconteceu com o autor do crime?
Após atirar contra Valdirene, Wanderlei atirou contra a própria cabeça e morreu. O caso é investigado como feminicídio seguido de suicídio.
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