PT, PC do B e PV vão à Justiça contra Flávio por fala sobre urnas
A Federação Brasil Esperança, formada por PT, PC do B e PV, protocolou nesta quarta-feira (22.jul.2026) uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Também foram incluídos na ação os deputados federais Gustavo Gayer (PL-GO) e Júlia Zanatta (PL-SC).
Os partidos afirmam que os quatro realizaram um movimento articulado de desinformação contra a integridade do sistema eletrônico de votação. Eles teriam atuado de forma coordenada para descontextualizar um documento dos Estados Unidos sobre as eleições venezuelanas e espalhar informações falsas a respeito das urnas brasileiras.
O que os partidos pedem na representação
A federação pede que a Justiça Eleitoral determine a remoção imediata das redes sociais de todos os conteúdos relacionados ao tema. Solicita ainda que Meta, X, Google, TikTok e Rumble adotem medidas para impedir a disseminação e o impulsionamento de publicações semelhantes. No julgamento definitivo, a coligação pede a aplicação de multa de R$ 30.000 para cada um dos representados.
Segundo os partidos, a ação afeta a credibilidade do Poder Judiciário e causa "repercussão nefasta na legitimidade do pleito, na estabilidade do Estado democrático de direito e na confiança dos eleitores nas urnas eletrônicas, utilizadas há 25 anos sem nenhuma prova de adulterações".
O evento que motivou a ação
A petição citou o evento "Debatendo o Brasil" realizado na terça-feira (21.jul), em Brasília, no qual Flávio questionou sem provas a segurança das urnas eletrônicas e defendeu o envio de mais observadores internacionais para acompanhar as eleições de outubro.
No evento, o senador citou documentos da CIA divulgados pelo governo norte-americano sobre possíveis vulnerabilidades em sistemas eletrônicos de votação na Venezuela. Sugeriu de forma incorreta que equipamentos produzidos pela Smartmatic, empresa mencionada nos relatórios, também teriam sido utilizados no Brasil.
A defesa do senador
Em nota ao Poder360, a assessoria do senador negou que ele tenha questionado a integridade das urnas. Segundo o texto, ele se "limitou a relatar 2 fatos públicos e amplamente divulgados pela imprensa".
A nota afirma: "Não é verdade que o pré-candidato Flávio Bolsonaro tenha questionado a integridade do sistema de votações no Brasil. Em sua fala, o pré-candidato se limitou a relatar dois fatos públicos e amplamente divulgados pela imprensa: 1) o fato originalmente gerador da inelegibilidade de seu pai, Jair Bolsonaro (uma notória reunião com embaixadores); 2) um relatório recentemente divulgado pela CIA, a respeito de fraudes nas eleições venezuelanas".
A assessoria acrescentou que Flávio afirma expressamente que "não está questionando o sistema de votação brasileiro" e exorta diplomatas a enviarem o maior número possível de representantes em missões de observação internacional.
A cronologia da desinformação, segundo os partidos
Os partidos declararam que o senador "utilizou o posto de pré-candidato para mentir quanto ao sistema eleitoral brasileiro, conectando fato externo (relatório da CIA) às ilações que lhe serviram de justificativa para questionar a seriedade do sistema eleitoral brasileiro e deste Tribunal Superior Eleitoral".
Disseram ainda que o fato de Flávio Bolsonaro ter citado o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, é "circunstância agravante e reveladora do dolo específico da conduta" ao tratar o caso como "narrativa de perseguição política a ser reafirmada".
Para as legendas, "não é possível fechar os olhos para os efeitos antidemocráticos de discursos violentos e de mentiras que coloquem em xeque a credibilidade da Justiça Eleitoral".
A representação afirma que "a experiência vivida pelo Brasil de meados de 2021 a 2022 demonstrou, de forma cabal, que o ataque às urnas eletrônicas não nasce pronto e acabado na fala de uma única autoridade: ele é construído, testado e amplificado, em etapas sucessivas, por uma rede de atores que se retroalimentam".
Segundo as siglas, Júlia Zanatta iniciou a movimentação em 17 de julho, quando publicou o relatório nas redes sociais e tentou associá-lo ao PT e a lideranças da esquerda latino-americana. Em seguida, Eduardo Bolsonaro e Gustavo Gayer ajudaram a manter o tema em circulação. Gayer publicou uma referência à Smartmatic, retomando uma informação antiga e desmentida pelo TSE sobre uma suposta participação da companhia na produção ou na programação das urnas brasileiras.
"A atuação identificada pode ser o início de uma nova estrutura de desinformação eleitoral semelhante à que preparou o terreno para os ataques de 2022 e para a tentativa de golpe após a vitória do presidente Lula", diz a federação em nota.
Como funcionam as urnas eletrônicas
As urnas eletrônicas operam sem qualquer tipo de mecanismo que permita conexão com a internet. Utilizam sistema operacional adaptado e mecanismos de criptografia, assinaturas digitais e resumos digitais para criar uma cadeia de confiança. Assim, só programas e mídias oficiais gerados pelo TSE são executados em aparelhos certificados, o que bloqueia a utilização de softwares não autorizados.
O sistema conta com verificações permanentes e auditáveis por partidos políticos, Ministério Público, OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e pela sociedade civil. Entre as etapas de checagem estão os TPS (Testes Públicos de Segurança) e a Cerimônia de Votação Paralela, na qual urnas sorteadas passam por votação simultânea em audiência pública, com conferência em cédulas de papel e gravação em vídeo.
Além disso, o BU (Boletim de Urna), o RDV (Registro Digital do Voto) e os relatórios de sistema possuem assinatura digital que impede alterações e permite a conferência pública dos resultados.
O que dizem os outros citados
O Poder360 procurou os deputados federais Gustavo Gayer e Júlia Zanatta por meio de mensagem no Whatsapp para perguntar se gostariam de se manifestar a respeito da representação. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada.
Perguntas Frequentes
O que a Federação Brasil Esperança pede na representação?
A federação pede a remoção imediata de conteúdos das redes sociais e que plataformas como Meta, X, Google, TikTok e Rumble impeçam a disseminação de publicações semelhantes. No julgamento definitivo, pede multa de R$ 30 mil para cada representado.
Quem são os alvos da representação?
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e os deputados federais Gustavo Gayer (PL-GO) e Júlia Zanatta (PL-SC).
O que motivou a ação?
Um evento chamado "Debatendo o Brasil", em Brasília, no qual Flávio questionou sem provas a segurança das urnas eletrônicas e citou documentos da CIA sobre eleições na Venezuela.
Como o senador se defende?
A assessoria de Flávio nega que ele tenha questionado a integridade das urnas. Diz que ele apenas relatou fatos públicos e que afirma expressamente "não estar questionando o sistema de votação brasileiro".
As urnas eletrônicas são seguras?
Sim. As urnas não têm conexão com a internet, usam criptografia e assinaturas digitais, e passam por auditorias de partidos, Ministério Público, OAB e sociedade civil, incluindo Testes Públicos de Segurança e Votação Paralela.