Rede elétrica mais resiliente requer investimento de concessionárias
Senta que lá vem história: depois dos ventos fortes que sacudiram São Paulo e Rio de Janeiro nessa quarta-feira (29), a pergunta que ficou no ar é: dá pra deixar a rede elétrica mais preparada? A resposta é sim, mas tem um preço alto, e a conta, segundo especialistas, precisa ser das concessionárias de energia.
A rede elétrica pode ficar mais resiliente a ventos fortes, mas exige investimento elevado das concessionárias. Fiação subterrânea e poda de árvores na época certa estão entre as medidas para reduzir a vulnerabilidade do fornecimento, avalia Edson Watanabe, professor do Programa de Engenharia Elétrica da Coppe/UFRJ.
O que diz quem estuda o assunto
Watanabe é enfático: "Tem que ter manutenção. Ou enterra ou faz manutenção. No geral, não se faz nem um, nem outro. Ou se faz pouco". Ele mesmo sentiu na pele. Mora no Grajaú, na Zona Norte do Rio, e passou a quinta-feira (30) sem luz. Na rua dele, a rede é aérea, sustentada por postes, o que aumenta o risco com quedas de árvores e tempestades.
Quem tem fiação subterrânea, como nos bairros mais nobres e no centro do Rio, sofre menos. "Quem recebe por linha aérea tem mais problemas", resume. E o custo? O professor estima que os cabos subterrâneos custam de sete a dez vezes mais que a linha aérea, embora tragam mais qualidade. E quem deve bancar isso? As concessionárias, na visão dele.
"Seria bom se houvesse um pouco mais de atividade do lado das concessionárias. Se ficar parado, como a gente anda, vai ser ainda pior", alerta.
Outro lado: nem tudo é falta de luz
Leandro Torres, especialista em desastres e professor da Escola Politécnica da UFRJ, pondera. Para ele, o risco de apagão não é motivo, sozinho, para enterrar toda a rede. "É uma decisão estética, urbanística. Mas não pesa muito no caso de falta de luz." O investimento pode ser até inviável economicamente, e os cabos subterrâneos, apesar de protegerem do vento, sofrem com inundações e furtos.
Torres lembra que o vendaval no Rio foi um evento de emergência. E aí entra o plano de contingência. As instituições, de escolas a concessionárias, precisam mapear ameaças, entender as causas e criar medidas para reduzir falhas. "Elas devem analisar, por hipótese, se acontecer um tornado aqui, o que eu faria?", provoca.
Na prática, quem espera sofre
Enquanto o planejamento não vira realidade, tem gente no prejuízo. Ana Paula Brito, empresária em Vila Isabel, está sem luz desde as 17h de quarta. Já abriu vários protocolos na Light e a resposta é que os técnicos estão trabalhando, sem previsão de retorno. "A geladeira já está descongelando, os alimentos estão vencendo. É um transtorno muito grande."
Rico Vilarouca, designer que mora e trabalha em Santa Teresa, também espera energia e internet de volta. A situação se repete sempre que chove forte no bairro. "A gente não está preparado para esse volume de vento na cidade", lamenta.
A Light e a Enel, que atuam no Rio, dizem ter equipes mobilizadas. Mas milhares de imóveis seguiam sem energia nesta quinta-feira. Se você também ficou no escuro, vale ficar de olho nos canais oficiais e, se precisar, buscar ressarcimento por prejuízos. como pedir ressarcimento por falta de energia direitos do consumidor em apagões
Perguntas Frequentes
Quem é responsável por investir na rede elétrica?
Segundo o professor Edson Watanabe, da Coppe/UFRJ, a responsabilidade pelos custos é das concessionárias de energia.
Fiação subterrânea é sempre melhor?
Não. Apesar de proteger contra vento, ela custa de sete a dez vezes mais e pode ter problemas com inundações e furtos, aponta Leandro Torres.
O que é um plano de contingência?
É um plano que mapeia ameaças, como vendaval e inundação, e define medidas para evitar ou reduzir falhas na operação, explica Torres.
O que fazer se ficar sem energia?
Abra protocolo na concessionária e acompanhe os canais oficiais. Em caso de prejuízo, é possível buscar ressarcimento.