A internet parou, as telas se acenderam e, lá do Texas, o Starship 13 subiu. Era o maior foguete da história tentando de novo, e a pergunta que todo mundo fazia era: será que dessa vez Elon Musk conseguiu? A resposta, como quase tudo na SpaceX, vem cheia de poréns, mas a gente conta tudo em ordem de novela.
O Starship 13, da SpaceX, decolou em maio de 2026 e cumpriu os principais objetivos: o propulsor Super Heavy pousou com sucesso na plataforma, e a nave atingiu órbita. Mas a reentrada na atmosfera teve falhas na proteção térmica, com partes do escudo se soltando. Ainda assim, Musk comemorou o avanço.
O que é o Starship 13 e por que a gente se importa
Senta que lá vem história. O Starship é o projeto mais ambicioso de Elon Musk: um sistema de transporte interplanetário que, no papel, vai levar humanos a Marte. A versão 13 é a décima terceira tentativa de voo integrado do veículo completo, o Super Heavy (primeiro estágio) mais a nave Starship (segundo estágio).
Diferente dos foguetes convencionais, que são descartáveis, o Starship foi desenhado para ser 100% reutilizável. Isso significa que tanto o propulsor quanto a nave voltam para a Terra e podem voar de novo. A promessa é reduzir o custo por quilo em órbita a níveis nunca vistos.
O dia do lançamento: o que rolou em Boca Chica
No dia 5 de maio de 2026, o Starship 13 acordou cedo. Lá das instalações da SpaceX em Boca Chica, Texas, a contagem regressiva começou às 7h locais. A transmissão ao vivo no X (ex-Twitter) e no YouTube bateu recorde de audiência: mais de 3 milhões de pessoas assistiram ao vivo.
Às 7h14, os 33 motores Raptor do Super Heavy rugiram. A plataforma de lançamento, já adaptada após os estragos dos voos anteriores, aguentou firme. O foguete subiu reto, cortando o céu nublado do Golfo do México.
A separação e o pouso do Super Heavy
Dois minutos e 45 segundos após a decolagem, veio o momento mais tenso: a separação dos estágios. Dessa vez, a SpaceX usou a técnica de "hot staging", em que os motores da nave acendem ainda conectados ao propulsor. Funcionou. O Super Heavy iniciou sua manobra de retorno.
Sete minutos depois, o propulsor de 70 metros desacelerou, acendeu os motores de pouso e tocou o chão da plataforma com uma precisão que fez a galera do chat enlouquecer. Pouso vertical, sem chamas laterais, sem explosão. Pela primeira vez, o Super Heavy pousou inteiro.
A nave em órbita: o ponto alto
Enquanto o Super Heavy comemorava em terra, a nave Starship continuava subindo. Os seis motores Raptor da nave (três para vácuo, três para nível do mar) a levaram a uma altitude de 250 km. O objetivo era dar uma volta parcial na Terra e reentrar sobre o Oceano Índico.
A nave atingiu velocidade orbital, cerca de 28.000 km/h, e passou 15 minutos em voo livre. Câmeras externas mostraram a curvatura da Terra. Era lindo. A SpaceX confirmou que todos os sistemas de navegação e comunicação funcionaram dentro do esperado.
A reentrada: onde o bicho pegou
Aí veio o capítulo que ninguém queria. Na reentrada, a proteção térmica, aquelas telhas hexagonais que cobrem a barriga da nave, começou a falhar. Imagens ao vivo mostraram pedaços do escudo se soltando e queimando na atmosfera. A temperatura externa passou de 1.400 °C.
A nave perdeu parte do flap dianteiro (uma espécie de asa móvel) e começou a girar fora de controle por alguns segundos. Os engenheiros da SpaceX conseguiram estabilizar o veículo, mas o estrago já estava feito. A transmissão foi cortada quando a nave ainda estava a 60 km de altitude.
Segundo a SpaceX, a telemetria indicou que a nave teria caído no Oceano Índico, mas não houve confirmação visual. A empresa classificou o voo como "parcialmente bem-sucedido", o que, no dicionário de Musk, significa que metade do caminho já está andado.
O saldo da missão: o que deu certo e o que ainda falta
Vamos aos números. Do lado positivo: o Super Heavy pousou com sucesso, algo que nunca tinha acontecido antes. A nave atingiu órbita e testou sistemas de navegação. Do lado negativo: a proteção térmica ainda não está pronta para reentradas em alta velocidade, e o pouso controlado da nave não foi testado.
A SpaceX já anunciou que o Starship 14 está em montagem e deve incorporar um novo design de escudo térmico, com telhas mais grossas e um sistema de resfriamento ativo. A previsão de novo voo é para agosto de 2026.
A internet reagiu: memes, teorias e esperança
Claro que a internet não perdoou. Em minutos, o X explodiu com memes do Starship pegando fogo, montagens do Musk com capacete de astronauta e teorias de que a nave tinha sido abduzida por alienígenas. Teve até quem criasse um perfil falso do "Starship 13 Survivor" postando fotos de praia.
Mas, no meio da zoeira, a galera que entende do riscado celebrou. O voo 13 foi o mais longe que o Starship já chegou. Cada falha vira dado para a próxima tentativa. E, se tem uma coisa que a SpaceX sabe fazer, é aprender com os erros.
O que esperar do Starship 14?
A SpaceX já divulgou que o Starship 14 terá melhorias no escudo térmico, nos flaps e no sistema de reentrada. A expectativa é que o próximo voo tente um pouso controlado da nave em terra, algo que, se der certo, vai mudar o jogo da exploração espacial.
Enquanto isso, a NASA observa de perto. A agência americana contratou a SpaceX para usar o Starship como módulo lunar do programa Artemis, que vai levar humanos de volta à Lua. Se o Starship não voar direito, a NASA atrasa junto. A pressão é grande.
O que é o programa Artemis e como o Starship se encaixa
Perguntas Frequentes
O Starship 13 explodiu?
Não exatamente. A nave se desintegrou durante a reentrada na atmosfera, mas não houve explosão. A SpaceX perdeu o contato com o veículo antes do impacto no Oceano Índico.
O Super Heavy pousou?
Sim, pela primeira vez o propulsor Super Heavy pousou verticalmente na plataforma de lançamento, sem danos aparentes. Foi o maior avanço do voo.
Quantos motores o Starship 13 tinha?
O veículo completo tinha 39 motores Raptor: 33 no Super Heavy e 6 na nave Starship (3 para vácuo, 3 para nível do mar).
Quando será o próximo lançamento do Starship?
A SpaceX planeja o Starship 14 para agosto de 2026, com melhorias no escudo térmico e nos sistemas de reentrada.
O Starship vai mesmo para Marte?
Esse é o plano de longo prazo de Elon Musk, mas antes o veículo precisa provar que consegue voar, reentrar e pousar de forma confiável. A NASA quer usá-lo primeiro para a Lua.