Você já passou por aquela situação em que o atendente do banco insiste que o problema é seu, mesmo com o comprovante na tela? Pois é, a ApexBrasil deve ter sentido algo parecido ao ver a tarifa dos EUA sobre o aço brasileiro. O órgão chamou a medida de "absurda" e "sem lógica comercial", e os números oficiais dão razão a eles.
A ApexBrasil classificou a tarifa dos EUA como absurda e sem lógica comercial, apontando que a medida viola princípios da OMC e prejudica exportações brasileiras de aço, carnes e suco de laranja. Dados oficiais mostram que a alíquota de 25% sobre o aço não se baseia em critérios técnicos.
O que a ApexBrasil disse sobre a tarifa dos EUA
Em nota oficial divulgada em 12 de junho de 2026, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) afirmou que a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre o aço brasileiro é "absurda" e "desprovida de lógica comercial". O órgão destacou que a medida não considera os acordos bilaterais vigentes nem as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Segundo a ApexBrasil, a tarifa foi aplicada sem embasamento técnico que justificasse a alegação de dumping ou subsídios ilegais. O governo brasileiro, por meio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, já sinalizou que recorrerá à OMC.
Impacto nas exportações brasileiras
O setor mais afetado é o de siderurgia. Em 2025, o Brasil exportou 3,2 milhões de toneladas de aço para os EUA, gerando receita de US$ 2,1 bilhões (dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). Com a tarifa de 25%, estima-se uma redução de 30% a 40% no volume exportado nos próximos 12 meses.
Além do aço, carnes (especialmente bovina) e suco de laranja estão na mira. As exportações de carne bovina para os EUA somaram US$ 800 milhões em 2025, enquanto o suco de laranja respondeu por US$ 400 milhões. A ApexBrasil alerta que a tarifa pode se estender a esses setores caso não haja negociação.
Por que a tarifa é considerada sem lógica comercial
A ApexBrasil aponta três razões principais. Primeiro, o Brasil é um dos poucos países que mantém superávit comercial com os EUA, US$ 5,2 bilhões em 2025, o que torna a tarifa contraditória com o discurso de equilíbrio comercial americano. Segundo, a medida fere o princípio da nação mais favorecida da OMC, que exige tratamento igual entre parceiros comerciais. Terceiro, a tarifa foi anunciada sem consulta prévia ao Brasil, o que viola o Acordo de Salvaguardas da OMC.
A lógica, segundo o órgão, seria de retaliação política, não de defesa comercial. A ApexBrasil cita que os EUA impuseram tarifas semelhantes ao aço chinês em 2024, mas a alíquota para o Brasil foi maior, sem justificativa técnica.
Reação do governo brasileiro e próximos passos
O governo brasileiro, por meio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, anunciou que acionará a OMC em até 30 dias. A estratégia inclui duas frentes: contestação direta na OMC e negociação bilateral com os EUA para redução da tarifa.
O Brasil também estuda retaliações comerciais, como a suspensão de compras de produtos americanos (trigo, etanol e aviões) que totalizam US$ 3,8 bilhões anuais. A ApexBrasil recomenda que as empresas brasileiras diversifiquem mercados, especialmente para a Ásia e a África, onde a demanda por aço cresce.
O que dizem as entidades do setor
O Instituto Aço Brasil (IABr) classificou a tarifa como "injustificável" e estima que 15 mil empregos diretos na siderurgia podem ser afetados. A Associação Brasileira das Indústrias de Carnes (Abiec) também se manifestou, afirmando que a medida pode reduzir em 20% as exportações de carne bovina para os EUA.
Já a Associação Nacional dos Exportadores de Suco de Laranja (CitrusBR) alerta que o setor, que já enfrenta seca histórica, pode perder US$ 80 milhões em receita.
Perguntas Frequentes
Por que a ApexBrasil chamou a tarifa de absurda?
Porque a tarifa de 25% sobre o aço brasileiro não tem embasamento técnico e viola acordos da OMC, segundo nota oficial do órgão.
Quais setores brasileiros são mais afetados?
Aço, carnes bovinas e suco de laranja. O aço responde por US$ 2,1 bilhões em exportações anuais para os EUA.
O Brasil vai retaliar os EUA?
O governo estuda retaliações, como suspensão de compras de trigo e etanol americanos, mas prioriza a via diplomática e a OMC.
Qual o prazo para o Brasil recorrer à OMC?
O Ministério do Desenvolvimento anunciou que acionará a OMC em até 30 dias.
A tarifa pode se estender a outros produtos?
Sim, a ApexBrasil alerta que carnes e suco de laranja podem ser alvo de tarifas similares.
Quantos empregos podem ser perdidos?
O Instituto Aço Brasil estima 15 mil empregos diretos ameaçados na siderurgia.