Vídeo: sargento carrega capitã já sem vida a um hospital em BH
Novas imagens de câmeras de segurança cedidas à Itatiaia mostram o momento em que o 3º sargento da corporação Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, leva a companheira, a capitã da Polícia Militar de Minas Gerais, identificada como Michele Leão Azevedo, de 41 anos, já sem vida, do elevador até o carro, antes de levá-la ao Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte.
Um vídeo de câmeras de segurança mostra o 3º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira carregando a capitã Michele Leão Azevedo, já sem vida, do elevador ao carro, antes de levá-la ao Hospital Odilon Behrens. A Polícia Militar informou que a capitã deu entrada com ausência de batimentos cardíacos. O caso é investigado como feminicídio.
Como o caso chegou ao hospital
No vídeo, é possível ver o sargento saindo do elevador com Michele nos ombros. Em seguida, ele a coloca dentro do carro e sai com o veículo ainda com a porta aberta. Segundo informações da Polícia Militar, a capitã foi levada já sem vida ao Hospital Odilon Behrens, no bairro São Cristóvão, na região Noroeste da capital mineira.
De acordo com o boletim de ocorrência, ela deu entrada por volta das 21h com ausência de batimentos cardíacos. Diante de indícios de que a morte poderia não ter sido acidental, com a estimativa médica de que o óbito havia ocorrido entre quatro e seis horas antes da chegada ao hospital, a equipe acionou a PMMG.
A versão do sargento
De acordo com informações apuradas pela Itatiaia e confirmadas no registro policial, o sargento afirmou que a esposa teria caído de uma escada na residência do casal, no bairro Palmares, por volta das 12h, sofrendo um corte na cabeça. Eduardo alegou que prestou socorro, deu banho na esposa e a colocou para repousar, justificando que Michele recusou atendimento médico por estar constrangida pelo uso prévio de drogas.
Segundo a versão dele, ambos foram dormir às 15h e, ao acordar às 21h, notou que ela não respondia aos estímulos.
O que levantou suspeitas
No entanto, a capitã apresentava hematomas pelo corpo que levantaram suspeitas sobre a versão de acidente. Segundo o registro policial, a vítima tinha traumatismo craniano, ferimentos nas pernas, lesões lineares compatíveis com chicoteamento e um ferimento de grandes dimensões na região frontal da cabeça.
Em sua defesa aos militares, o sargento alegou que os machucados seriam fruto de práticas sexuais consensuais de dominação e espancamento, ocorridas após uma festa na noite anterior, comportamento que ele afirmou ser habitual e gravado em vídeo por eles.
Drogas e objetos apreendidos
Ainda segundo a apuração da Itatiaia, o militar também foi preso por suspeita de posse e tráfico de drogas. No próprio hospital, um tenente flagrou Eduardo descartando uma pequena caixa metálica com comprimidos de ecstasy na lixeira de um dos banheiros. O suspeito confirmou que ele e a esposa haviam consumido a substância na noite anterior.
No prédio onde o casal morava, os peritos localizaram um cabo de madeira quebrado descartado no lixo próximo à saída de emergência e apreenderam roupas de cama recém-lavadas e ainda molhadas na máquina de lavar. Os peritos também apreenderam o veículo utilizado pelo suspeito para o transporte ao hospital, um Jeep Renegade prata.
Relato de abuso
Em depoimento, a mãe e a irmã de Michele relataram que a capitã vivia um relacionamento intensamente abusivo, marcado por controle psicológico, humilhações e ameaças, incluindo um episódio em que o sargento teria empunhado uma faca contra ela. A mãe destacou, ainda, que no dia da morte, Michele atendeu a uma ligação falando muito baixo, dizendo que não poderia comparecer a um compromisso, sem responder a mensagens posteriores.
Investigação e defesa
O caso será investigado como feminicídio consumado pela Polícia Civil, que apura a causa da morte e as circunstâncias que levaram ao óbito da oficial.
A defesa do policial militar informa que tomou conhecimento dos fatos noticiados e já está acompanhando integralmente a apuração. Neste momento, é imprescindível que se aguarde a conclusão das investigações e dos laudos periciais, evitando-se qualquer julgamento precipitado. A defesa confia no devido processo legal, na imparcialidade das investigações e reafirma que se manifestará oportunamente nos autos, preservando o direito de defesa e o sigilo necessário ao bom andamento do procedimento.
Perguntas Frequentes
O que mostra o vídeo do sargento carregando a capitã?
As imagens de câmeras de segurança mostram o 3º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira saindo do elevador com a capitã Michele Leão Azevedo nos ombros, já sem vida, e a colocando no carro antes de levá-la ao hospital.
Para qual hospital a capitã foi levada?
Ela foi levada ao Hospital Odilon Behrens, no bairro São Cristóvão, na região Noroeste de Belo Horizonte.
Qual foi a versão do sargento sobre a morte?
Ele afirmou que Michele teria caído de uma escada na residência do casal por volta das 12h e que ela recusou atendimento médico. Ele disse que foram dormir e, ao acordar às 21h, notou que ela não respondia.
Por que o caso é investigado como feminicídio?
A capitã apresentava hematomas pelo corpo, traumatismo craniano e lesões incompatíveis com a versão de acidente. A mãe e a irmã relataram um relacionamento abusivo.
O que foi apreendido no local?
Peritos encontraram um cabo de madeira quebrado no lixo, roupas de cama recém-lavadas na máquina e apreenderam o veículo Jeep Renegade prata do suspeito. Também foram encontrados comprimidos de ecstasy descartados no hospital.