Yara tem alta de 32% no lucro líquido, mas queda na entrega de fertilizante
A Yara International, gigante norueguesa de fertilizantes, reportou um lucro líquido de US$ 1,2 bilhão no segundo trimestre de 2026, alta de 32% ante o mesmo período de 2025. O resultado veio acima das expectativas do mercado. Mas há uma nuvem no horizonte: a entrega de fertilizantes caiu 8% no período. O contraste entre lucro crescente e volume decrescente acendeu alertas entre analistas.
A Yara International registrou alta de 32% no lucro líquido no último trimestre, para US$ 1,2 bilhão, impulsionada por margens melhores. No entanto, a entrega de fertilizantes caiu 8%, refletindo demanda global mais fraca. O resultado misto aponta para um cenário de preços elevados, mas volumes reduzidos no setor.
O que explica a alta de 32% no lucro da Yara?
O lucro líquido da Yara saltou de US$ 909 milhões para US$ 1,2 bilhão em um ano. A explicação está nas margens. Os preços dos fertilizantes subiram 18% no período, impulsionados por custos maiores de gás natural na Europa. A empresa conseguiu repassar esses custos aos clientes. "O aumento de preços compensou a queda nos volumes", disse o CEO Svein Tore Holsether.
Margens operacionais melhores
A margem EBITDA da Yara subiu de 22% para 26%. Isso significa que a empresa ganhou mais por tonelada vendida. O segmento de nitrogênio, principal linha de negócios, teve margem de 30%, ante 25% no ano anterior.
Por que a entrega de fertilizantes caiu?
A entrega de fertilizantes caiu 8%, para 8,4 milhões de toneladas. A demanda global por fertilizantes recuou, especialmente na Europa e no Brasil. Na Europa, a crise energética reduziu a atividade agrícola. No Brasil, o atraso no plantio da safra de verão diminuiu a procura.
Queda mais forte na Europa
Na Europa, a entrega caiu 12%. Os agricultores europeus reduziram o uso de fertilizantes nitrogenados devido aos altos custos do gás. A Yara fechou temporariamente duas fábricas na região para ajustar a oferta.
Brasil: demanda menor
No Brasil, a entrega de fertilizantes da Yara caiu 5%. O país importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome. O atraso no plantio de soja e milho reduziu as compras no segundo trimestre. "A demanda deve se recuperar no terceiro trimestre com o plantio", afirmou a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA).
O que esperar do setor de fertilizantes?
O setor de fertilizantes vive um momento de preços altos e volumes baixos. A Yara projeta que a demanda global deve crescer 2% em 2026, impulsionada por Índia e África. No Brasil, a expectativa é de safra recorde, o que pode elevar o consumo de fertilizantes no segundo semestre.
Preços devem se manter elevados
Os preços dos fertilizantes devem se manter elevados devido aos custos do gás natural, principal insumo da produção de nitrogênio. O gás natural responde por 70% do custo variável da Yara. Com a guerra na Ucrânia e sanções à Rússia, o gás europeu segue caro.
Como a Yara se posiciona para o futuro?
A Yara está investindo em produção de amônia verde, com meta de reduzir emissões de carbono em 30% até 2030. A empresa também expande capacidade em países com gás barato, como Estados Unidos e Austrália. "Vamos focar em margens, não em volumes", disse o CEO.
Yara investe em amônia verde Panorama do setor de fertilizantes no Brasil
Perguntas Frequentes
O lucro da Yara subiu ou caiu?
O lucro líquido da Yara subiu 32% no segundo trimestre de 2026, para US$ 1,2 bilhão.
A entrega de fertilizantes da Yara caiu?
Sim, a entrega caiu 8% no período, para 8,4 milhões de toneladas.
Por que o lucro subiu se a entrega caiu?
Os preços dos fertilizantes subiram 18%, compensando a queda nos volumes e elevando as margens.
Qual a perspectiva para o setor de fertilizantes?
A demanda global deve crescer 2% em 2026, com destaque para Índia e África. No Brasil, a safra recorde pode elevar o consumo no segundo semestre.
A Yara está investindo em sustentabilidade?
Sim, a empresa investe em amônia verde e tem meta de reduzir emissões em 30% até 2030.