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Formalismo jurídico protege o próprio sistema, diz Giannetti

ResumoEduardo Giannetti, economista e filósofo, afirma que o formalismo jurídico protege o próprio sistema, mas pode agravar a desconfiança nas instituições. A análise ocorre no WW Especial, abordando os recuos da Lava Jato. Giannetti critica a rigidez processual que, em vez de legitimar, enfraquece a credibilidade pública do Judiciário brasileiro.

Eduardo Giannetti afirma que o formalismo jurídico protege o próprio sistema e pode agravar a falta de confiança nas instituições. No WW Especial, ele analisa os recuos da Lava Jato.

Dani Quaresma
Formalismo jurídico protege o próprio sistema, diz Giannetti

Formalismo jurídico protege o próprio sistema, diz Giannetti — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

As tecnicalidades jurídicas e os formalismos do setor protegem o próprio sistema e podem agravar a falta de confiança da sociedade nas instituições, afirmou o cientista social e economista Eduardo Giannetti. Como exemplo recente, ele cita a Operação Lava Jato, que, após anos de trabalho, sofreu recuos na condução das investigações.

"A gente teve no passado recente muito perto de uma melhora substantiva. Eu acreditei sinceramente que a Lava Jato mudava as regras de controle do setor público e do setor privado na vida brasileira", inicia Giannetti. "Colocou gente de mais alto padrão econômico e financeiro na cadeia, com base em apuração, com base em delação premiada", afirmou ao WW Especial.

Ao longo dos últimos anos, o STF anulou uma série de condenações e determinações da operação. Entre os motivos estão um suposto "conluio" entre a PF, o MPF e o então juiz Sérgio Moro; o entendimento de que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar o caso; e a avaliação de que certas provas eram inutilizáveis.

"Um erro processual levou a um retrocesso de grandes proporções no momento em que tudo o que foi apurado e descoberto sobre a Lava Jato foi ignorado", explica. "Nada daquilo valeu."

O cientista social pontua que as anulações são incomuns no mundo jurídico internacional. Em agosto, a justiça inglesa decidiu que uma agência local poderia continuar a usar provas e documentos da Lava Jato para embasar confiscos de bens, mesmo depois das decisões do STF, no caso de Mario Ildeu de Miranda, ex-executivo da Petrobras condenado em 2020 por lavagem de dinheiro pela 13ª Vara Federal de Curitiba.

O juiz Mark Weekes levantou ressalvas sobre as medidas de Dias Toffoli, classificando-as como "altamente incomuns". "Deve-se notar, de imediato, que a decisão do ministro Toffoli é uma decisão monocrática, embora reconheçamos que ele é ex-presidente da Corte e, portanto, um jurista sênior e eminente naquele país. Dito isso, não se trata de uma decisão do que consideraríamos ser da corte completa do STF. Observamos também que a fundamentação da decisão é concisa", afirmou.

"É o uso do formalismo jurídico para proteger o sistema", lamenta Giannetti. Apresentado por William Waack, o programa é exibido aos domingos, às 22h, em todas as plataformas da CNN Brasil.

Dani Quaresma

Editoria Especiais

Dani Quaresma cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.

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