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Com travas na articulação, governo aprova duas pautas no Congresso em 2026

O governo brasileiro começou 2026 com a meta de aprovar oito propostas no Congresso. Até o momento, apenas duas pautas, a medida provisória sobre a CNH e a Lei Antifacção, foram analisadas. As articulações enfrentam desafios significativos.

Tomás Wenzel
Com travas na articulação, governo aprova duas pautas no Congresso em 2026

Com travas na articulação, governo aprova duas pautas no Congresso em 2026 — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Com travas na articulação, governo aprova duas pautas no Congresso em 2026

O governo brasileiro iniciou 2026 com a ambição de aprovar oito propostas no Congresso Nacional. No entanto, até o momento, apenas duas pautas prioritárias foram analisadas por deputados e senadores: a medida provisória sobre a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e a Lei Antifacção.

O ex-líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), que atualmente ocupa o cargo de ministro das Relações Institucionais, divulgou a lista com as metas para 2026 no final de 2025. Outros seis tópicos, considerados prioritários pelo governo, ainda não foram aprovados. Entre eles, destaca-se a proposta de Emenda Constitucional (PEC) que visa acabar com a escala 6x1.

Essa proposta, de autoria dos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Erika Hilton (Psol-SP), já foi aprovada na Câmara, mas encontra-se estagnada no Senado desde o final de maio. Com amplo apoio dos deputados, o texto possui apelo popular, o que também se reflete no apoio massivo que recebe dos senadores.

Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, bloqueou a discussão da PEC e indicou a necessidade de uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que o assunto avance. No entanto, até o momento, esse diálogo não ocorreu, e o senador afirmou que não levaria o texto para votação no plenário antes das eleições.

A PEC do fim da escala 6x1 é uma das principais bandeiras que Lula pretende utilizar em sua campanha para as eleições de 2026. Inicialmente, a meta era ter o texto aprovado até o primeiro semestre do ano, o que representaria uma "conquista" significativa para o governo, sendo a maior entrega do terceiro mandato do petista.

Atualmente, a expectativa entre os governistas é que a PEC seja aprovada em agosto. Caso contrário, o governo poderá utilizar o tema na corrida eleitoral como um projeto a ser retomado após as eleições, possivelmente em 2027.

Outro projeto que estava na lista de prioridades do governo é a regulamentação dos transportes por aplicativo. Este texto ainda aguarda votação na Câmara, onde se encontra em uma comissão especial. O projeto propõe mudanças nos direitos dos trabalhadores de aplicativos e as obrigações das plataformas em relação aos entregadores.

Ainda há pendências para avançar com o Projeto de Lei Complementar (PLP), especialmente no que diz respeito à cobrança por distâncias extras percorridas durante as entregas. A tendência é que essa votação seja adiada para 2027.

A disputa em torno desta pauta envolve motoristas de aplicativo e empresas de tecnologia. Associações de trabalhadores de entrega reivindicam um valor mínimo de R$ 2,50 por quilômetro rodado a mais, enquanto as empresas de aplicativos argumentam que esse valor deve ser inferior.

Um dos textos que conseguiu ser aprovado na Câmara foi a PEC da Segurança Pública. Contudo, essa proposta também se encontra parada no Senado. A PEC visa promover uma maior integração entre os órgãos de segurança, conferindo status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e constitucionalizando o Fundo Nacional de Segurança Pública e o Fundo Nacional Penitenciário.

O governo pretendia usar a segurança pública como um tema central em sua campanha eleitoral, especialmente porque esse assunto foi um dos mais discutidos nas últimas eleições e continua sendo uma preocupação da sociedade.

Além disso, a oposição frequentemente argumenta que a esquerda não apresenta propostas eficazes para combater o crime organizado no país. Com a aprovação da PEC, o governo teria um forte apoio eleitoral para enfrentar esse desafio.

Entre os projetos com menor avanço está a proposta de tarifa zero nos transportes públicos. Atualmente, dois projetos tramitam no Congresso sugerindo o fim da cobrança, um do deputado Reginaldo Lopes e outro do senador Rogério Carvalho (PT-SE). Embora a meta fosse pautar o tema nas duas Casas, esses projetos não avançaram nas comissões temáticas do Congresso.

Uma parte do governo considera que o tema ainda não conquistou o apelo popular necessário, o que limita as articulações no Legislativo.

Além dessas propostas, o governo também busca avançar na regulamentação da Inteligência Artificial no país. Este texto ainda depende de acordos, especialmente no que se refere aos direitos autorais. O relator Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) tem buscado dialogar com diferentes setores para tentar aprovar a proposta na Câmara antes do recesso.

A última das propostas que o governo pretendia avançar é a regulamentação da atuação econômica das big techs, que tramita em regime de urgência desde junho do ano passado e precisa ser votada no plenário da Câmara. O governo federal tem demonstrado interesse nesse tema desde o início da gestão, quando Lula enviou sugestões para o PL das Fake News, visando responsabilizar as empresas de tecnologia pela disseminação de informações falsas.

Além disso, o relatório do PL 4675 foi apresentado pelo deputado Aliel Machado (PV-PR) na semana passada, aguardando votação no plenário da Câmara.

Ao longo do ano, outras duas matérias que não estavam na relação inicial do governo ganharam apoio e prioridade do Executivo, mas estão travadas no Senado. Uma delas cria regras para a exploração de minerais críticos, enquanto a outra regulamenta a atuação de Datacenters no Brasil. Ambas as propostas representam áreas estratégicas para o governo, que busca a aprovação dessas novas políticas o mais rapidamente possível. Ao final, das oito propostas que o governo tinha como foco no início do ano, apenas duas foram aprovadas no Congresso até agora.

Tomás Wenzel

Editoria Especiais

Tomás Wenzel cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.