….JFK e o Papa….

Em documentário sobre os 50 anos da eleição de Kennedy, uma tendência que ainda se mostra atual: a insistência republicana na pauta religiosa e a defesa do estado laico pelos democratas.

Em nova série de filmes de arquivo, a TV Cultura exibiu um documentário sobre os 50 anos da eleição de John F. Kennedy nos Estados Unidos.

Rico em informações, o filme mostra um making of da campanha presidencial de 1960 e ainda reuniões do presidente depois de eleito com seus principais assessores. Viaja-se em imagens contraditórias, como JFK sendo ignorado por eleitores nas primárias de Wisconsin e depois ovacionado por platéias que deliravam com seus carismáticos discursos.

Kennedy distribui boutades em entrevistas e parece se divertir tanto quanto seus espectadores, mas responde duro às diatribes de um Richard Nixon constantemente mal-humorado e agressivo.

Acompanhamos longas reuniões de trabalho na Casa Branca, em especial aquelas destinadas a encontrar uma saída para o ingresso dos estudantes negros da Universidade do Alabama, vetado pelo governador George Wallace. O documentário também exibe discursos inflamados de Kennedy pelo desarmamento mundial, a despeito do gradativo aumento do envio de militares americanos ao Vietnã, na mesma época.

Mais atual do que o governo, entretanto, foi a campanha. Kennedy era católico, em um país de expressiva maioria protestante. Teve de reagir à pauta religiosa, introduzida insistentemente pelos republicanos na eleição.

Indignado com a sua própria discriminação, Kennedy argumentava que impedi-lo de chegar à Casa Branca por motivos religiosos significava dizer a quarenta milhões de americanos que perdiam a chance de se tornar presidentes no exato momento em que eram batizados.

Indagado por um eleitor como se portaria diante de um pedido feito pelo Papa sobre uma questão de governo, respondeu convicto: “ele não me faria um pedido e se fizesse eu não o atenderia, porque em razão da primeira emenda, existe uma separação clara entre religião e Estado neste país”.

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